Devido às suas imperfeições, o Espírito culpado sofre primeiro na vida espiritual, sendo-lhe depois concedida a vida corpórea como meio de reparação. É por isso que nessa nova existência ele se achará em relação com as pessoas a quem ofendeu, ou em meios semelhantes àqueles em que praticou o mal, ou ainda em situações opostas à sua vida precedente, como na miséria ou numa condição humilhante, por exemplo, se foi mau rico ou orgulhoso.
A expiação no mundo dos Espíritos e na Terra não constitui duplo castigo para o Espírito, mas um complemento, um desdobramento do trabalho efetivo com vistas a lhe facilitar o progresso. Depende dele aproveitá-lo. Não será preferível que o Espírito volte à Terra, com a possibilidade de alcançar o céu, a ser condenado sem remissão se a deixar definitivamente? A concessão dessa liberdade é uma prova da sabedoria, da bondade e da Justiça de Deus, que quer que o homem deva tudo aos próprios esforços e seja o responsável pelo seu futuro. Se for infeliz por mais ou menos tempo, não poderá queixar-se senão de si mesmo, visto que a rota do progresso lhe estará sempre aberta.