Capítulo 31
Meus filhos, nosso mundo material e o mundo espiritual, que bem poucos ainda conhecem, formam como que os dois pratos da balança perpétua. Até agora as nossas religiões, as nossas leis, os nossos costumes e as nossas paixões têm feito de tal modo descer o prato do mal e subir o do bem, que se tem visto o mal reinar soberanamente na Terra. Desde séculos é sempre a mesma queixa a sair da boca do homem e a conclusão fatal é a injustiça de Deus, chegando alguns até mesmo à negação da existência de Deus. Vedes tudo aqui e nada lá; vedes o supérfluo que choca a necessidade, o ouro que brilha junto da lama e todos os mais chocantes contrastes que deveriam provar a vossa dupla natureza. De onde vem isto? De quem a falta? Eis o que é preciso pesquisar com tranquilidade e com imparcialidade. Quando sinceramente se deseja achar um bom remédio, acha-se. Pois bem! apesar dessa dominação do mal sobre o bem, por culpa vossa, por que não vedes o resto ir direto pela linha traçada por Deus? Vedes as estações se desarranjarem? os calores e os frios se chocarem inconsideradamente? a luz do Sol esquecer-se de iluminar a Terra? a terra esquecer em seu seio as sementes que o homem aí depositou? Vedes a cessação dos mil milagres perpétuos que se produzem sob os nossos olhos, desde o nascimento de um pé de erva até o nascimento da criança, o homem futuro? Mas, se tudo vai bem do lado de Deus, tudo vai mal do lado do homem. Qual o remédio para isto? É muito simples: aproximarem-se de Deus, amarem-se, unirem-se, entenderem-se e seguirem tranquilamente a estrada cujos marcos se veem com os olhos da fé e da consciência. VICENTE DE PAULO OBSERVAÇÃO – Esta comunicação foi obtida no mesmo círculo, mas quanto difere da precedente, não só pelas ideias, como também pelo estilo! Tudo aí é justo, profundo, sensato e, certamente, São Vicente de Paulo não a desaprovaria, razão pela qual lhe podemos atribuí-la sem receio.
TAG Valor
Parte Segunda
Nome do Capítulo Dissertações espíritas
Tema Comunicações apócrifas
Item 30