Capítulo 3
Enganar-se-ia redondamente quanto à nossa maneira de ver, quem imaginasse que estamos aconselhando que se desprezem os fatos. Foi pelos fatos que chegamos à teoria. É certo que para isso tivemos de nos consagrar a um trabalho assíduo durante vários anos e de fazer milhares de observações. Mas justamente porque os fatos nos serviram e nos servem todos os dias seríamos inconsequentes conosco mesmos se contestássemos a sua importância, sobretudo agora, quando fazemos um livro para torná-los conhecidos de todos. Dizemos apenas que, sem o raciocínio, eles não bastam para levar as pessoas à convicção; que uma explicação prévia, pondo fim às prevenções e mostrando que os fatos não se contrapõem à razão, predispõe os indivíduos a aceitá-los. Tanto isto é verdade que em dez pessoas completamente novatas no assunto, que assistam a uma sessão de experimentação, ainda que das mais satisfatórias na opinião dos adeptos, nove sairão sem estar convencidas e algumas mais incrédulas do que antes, porque as experiências não corresponderam ao que esperavam. Dar-se-á o inverso com as que puderem compreender os fatos, mediante conhecimento teórico antecipado. Para estas pessoas, a teoria constitui um meio de controle, sem que coisa alguma as surpreenda, nem mesmo o insucesso, porque sabem em que condições os fenômenos se produzem e que não se deve exigir deles o que não podem dar. A compreensão prévia dos fatos não só as torna capazes de perceberem todas as anomalias, mas também de apanharem uma infinidade de detalhes, de matizes quase sempre delicados, que lhes servirão de elementos de convicção, mas que escapam ao observador ignorante. São esses os motivos que nos levam a somente admitir em nossas sessões experimentais indivíduos que possuam suficientes noções preparatórias, para compreender o que ali se faz, pois estamos convencidos de que os outros perderiam o seu tempo, ou nos fariam perder o nosso.
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Parte Primeira
Nome do Capítulo Método
Item 34