Capítulo 16
Clarividência é a faculdade pela qual a pessoa vê os Espíritos com grande clareza. A própria palavra indica: é a vidência clara. Clariaudiência é a faculdade pela qual a pessoa ouve os Espíritos com nitidez. É, por conseguinte, a audição clara. Qualquer pessoa estudiosa dos assuntos espíritas saberá que o médium clarividente ou clariaudiente vê e ouve pela mente, sem necessidade do concurso dos olhos e dos ouvidos corporais. Quantas vezes, tentando sustar uma visão desagradável, produzida por um Espírito menos esclarecido, o médium fecha os olhos e, quanto mais os aperta, a visão se torna mais nítida e melhor se definem os contornos da entidade? Quantas vezes, também, fecha os ouvidos para não ouvi-la, comprimindo-os fortemente, sem, contudo, deixar de ouvir "a voz dos Espíritos"? Bastaria isso, pensamos nós, para a comprovação plena da tese de que não se vê nem se ouve com os olhos e os ouvidos corporais. Entretanto, acrescentemos outro exemplo: durante o sono a nossa alma, libertando-se algumas horas do corpo, inicia nova atividade, durante a qual vê, ouve e sente sem a cooperação dos órgãos físicos, o que confirma, pacificamente, a realidade já bastante conhecida dos espíritas: a visão e a audiência independem dos órgãos visuais e auditivos. O médium vê e ouve através da mente, que, nesse caso, funciona à maneira de um prisma, de um filtro que reflete, diversamente, quadros e impressões, idéias e sentimentos iguais na sua origem. Uma ocorrência supranormal produzida pelos Espíritos, em recinto fechado ou em qualquer parte, pode ser vista e ouvida diferentemente por dois, três ou quatro médiuns. Cada um vê-la-á a seu modo, de acordo com o seu próprio estado mental e, em última análise, com os seus próprios recursos psíquicos. Respondendo a uma indagação de Hilário sobre este assunto, o Assistente Áulus esclarece: "O círculo de percepção varia em cada um de nós." E, mais adiante, acrescenta, à guisa de exemplo: "Uma lâmpada exibirá claridade lirial, em jacto contínuo, mas, se essa claridade for filtrada por focos múltiplos, decerto estará submetida à cor e ao potencial de cada um desses filtros, embora continue sendo sempre a mesma lâmpada a fulgurar em seu campo central de ação..." O fenômeno psíquico é como a claridade da lâmpada: sendo o mesmo, pode ser observado e interpretado de vários modos, segundo a filtragem mental de cada medianeiro. O gráfico ilustrativo deste capítulo objetiva comprovar a tese exposta: assim como a claridade da lâmpada, ao atravessar focos de cores diferentes, faz que a luz tenha alterada a coloração original, da mesma forma três médiuns (três mentes diferentes) obviamente registram a seu modo o mesmo fenômeno. As variações auditivas e visuais são demonstráveis através da observação seguinte: três são os médiuns presentes ao grupo visitado por André Luiz e Hilário, sob o comando do Assistente Áulus. André Luiz pondera que, "sutilmente ligados à faixa fluídica de Clementino (supervisor espiritual da reunião), os três médiuns, cada qual a seu modo, lhe acusavam a presença", no tocante à vidência e à audiência. Quanto à vidência, acompanhemos as variações: a) — Dona Celina o vê perfeitamente. b) — Dona Eugênia o vê como se estivesse envolvido num lençol. c) — Castro o vê com nitidez. No tocante à audição, a mesma diversidade: d) — Dona Celina ouve-o perfeitamente. e) — Dona Eugênia ouve-o "em forma de intuição." f) — Castro nada ouve. Por que tal divergência no registro da presença do Espírito amigo? Clementino não estava sintonizado com os três médiuns? Não deveria, por conseguinte, ser visto e ouvido em igualdade de condições? Isso é o que nos parece; entretanto, considerando que "o círculo de percepção varia em cada um de nós" e que a luz, atravessando filtros de várias cores, projeta focos de coloração diferente, a resposta àquelas indagações é simples e lógica. Cada mente tem uma capacidade peculiar de percepção dos fenômenos, registrando-os, assim, de modo variado. O médium que estuda e começa a entender esses delicados matizes do mediunismo, dificilmente fará juízos temerários quanto à vidência de outrem, ante a certeza de que os fenômenos por ele não observados podem, indubitavelmente, ser percebidos por outro companheiro. Conjugar, pois, o conhecimento da Doutrina e do Evangelho significa caminhar para a compreensão e o entendimento. O médium esclarecido saberá que os fenômenos espíritas, por transcendentes, estão ainda muito longe de ser por nós integralmente compreendidos. E recordará, além disso, que a palavra do Senhor permanece: "Com a mesma medida com que medirdes o vosso irmão, sereis também medidos..."
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Nome do Capítulo Clarividência e clariaudiência