Capítulo 6
Por sua natureza e em seu estado normal, o perispírito é invisível. Isso é comum a uma porção de fluidos que sabemos existir, mesmo que jamais os tenhamos visto. Entretanto, ele pode também, à semelhança de certos fluidos, sofrer modificações que o tornem perceptível à vista, seja por meio de uma espécie de condensação, seja devido a uma mudança na disposição de suas moléculas. Aparece-nos então sob uma forma vaporosa. A condensação¹² pode ser tal que o perispírito adquira as propriedades de um corpo sólido e tangível, conservando, porém, a possibilidade de retomar seu estado etéreo e invisível. Podemos entender esse processo, assimilando-o ao do vapor, que pode passar da invisibilidade ao estado brumoso, depois ao estado líquido, em seguida ao sólido e vice-versa. Esses diferentes estados do perispírito resultam da vontade do Espírito, e não de uma causa física exterior, como sucede com os nossos gases. O Espírito só nos aparece depois de ter imprimido ao seu perispírito as condições necessárias para torná-lo visível. Mas, para isso, não basta a sua vontade, pois a modificação do perispírito se opera mediante sua combinação com o fluido específico do médium. Ora, essa combinação nem sempre é possível, o que explica não ser generalizada a visão dos Espíritos. Assim, não basta que o Espírito queira mostrar-se; também não basta que uma pessoa queira vê-lo. É necessário que os dois fluidos possam combinar-se, que haja entre eles uma espécie de afinidade e, talvez, que a emissão do fluido da pessoa seja suficientemente abundante para operar a transformação do perispírito, além de outras prováveis condições que desconhecemos. É preciso, enfim, que o Espírito tenha a permissão de aparecer para aquela pessoa, o que nem sempre lhe é concedido, ou só é permitido em certas circunstâncias, por motivos que não podemos apreciar.
TAG Valor
Parte Segunda
Nome do Capítulo Manifestações visuais
Tema Ensaio teórico sobre as aparições
Item 105