Espíritos batedores na Rússia
Enviam-nos de Riga, com data de 8 de abril de 1868, o extrato a seguir, do Courrier russe de São Petersburgo: “Acreditais em Espíritos batedores? Por mim, não; absolutamente. E, contudo, acabo de ver um fato material, palpável, que foge de tal modo das regras do senso comum, e também está de tal maneira em desacordo com os princípios de estabilidade e da gravidade dos corpos, que me inculcou o meu professor do quarto ano, que não sei qual dos dois é mais ferido, se o Espírito ou eu. “Outro dia nosso secretário de redação recebeu um senhor de semblante agradável, de uma idade a não se lhe poder atribuir a idéia de uma piada de mau gosto. Cumprimentos, apresentação, etc.; tudo acabado, o senhor conta que vem ao nosso escritório pedir um conselho; que o que lhe acontece está a tal ponto fora de todos os fatos da vida social, que julga no dever de publicá-lo. “– Minha casa, disse ele, está cheia de Espíritos batedores; toda noite, em torno de dez horas, começam seus exercícios, transportando os objetos menos transportáveis, batendo, pulando e, numa palavra, pondo todo o meu apartamento de pernas para o ar. Recorri à polícia; um soldado passou várias noites em minha casa. A desordem não cessou, embora a cada alarme ele tenha desembainhado o sabre de maneira ameaçadora. Minha casa está isolada, só tenho uma criada, minha mulher e minha filha, e quando esses fatos se passam estamos reunidos. Moro numa rua muito afastada, em Vassili-Ostroff. “Eu tinha entrado durante a conversa e escutava de boca aberta. Como vos disse, não acredito em Espíritos batedores, absolutamente. Expliquei a esse senhor que para dar publicidade a esses fatos, era preciso que estivéssemos convencidos de sua existência, e lhe propus ir eu mesmo para me dar conta da coisa. Marcamos encontro para a noite e às nove horas eu estava na casa do homem. Introduziram-me num pequeno salão, mobiliado com muito conforto; examinei a disposição das peças; eram apenas quatro, inclusive a cozinha, tudo ocupando o andar do meio de uma casa de madeira; ninguém mora em cima; o térreo é ocupado por um armazém. “Por volta de dez horas estávamos reunidos no salão, o homem, a mulher, sua esposa, sua filha, a cozinheira e eu. Uma meia hora e nada de novo! De repente uma porta se abriu e uma galocha caiu no meio da sala; acreditei num comparsa e quis assegurar-me de que a escada estava vazia, quando a galocha saltou sobre um móvel e de lá novamente no soalho; depois foi a vez das cadeiras na peça vizinha, que não tinha saída senão pela que ocupávamos, e que eu acabava de constatar perfeitamente vazia. Só ao cabo de uma hora o silêncio se restabeleceu, e o Espírito, os Espíritos, o hábil comparsa, ou Deus é quem sabe, desapareceu, deixando-nos numa estupefação que, eu vos garanto, nada tinha de jogo. Eis os fatos, eu os vi com os próprios olhos; não me encarrego de vo-los explicar. Se desejardes vós mesmos procurar a explicação, temos à vossa disposição todas as informações, a fim de que possais fazer vossas observações nos locais” Henri de Brenne
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Mês Maio
Ano 1868