Capítulo 47
Sejamos generosos com esses que têm sucumbido na luta das paixões e foram desviados para o mal; sejamos liberais com os pecadores, com os criminosos e endurecidos. Porventura sabemos quais as fases cruéis por que eles passaram, quais os sofrimentos que suportaram antes de falir? Teriam essas almas o conhecimento das leis superiores como sustentáculo na hora do perigo? Ignorantes, irresolutas, agitadas pelo sopro da desgraça, poderiam elas resistir e vencer? Lembremo-nos de que a responsabilidade é proporcional ao saber e que muito será pedido àquele que já possui o conhecimento da verdade. Sejamos piedosos para com os que são pequenos, débeis ou aflitos, para com esses a quem sangram as feridas da alma ou do corpo. Procuremos os ambientes onde as dores fervilham, os corações se partem, onde as existências se esterilizam no desespero e no esquecimento. Desçamos aos abismos da miséria, a fim de levar consolações animadoras, palavras que reconfortem, exortações que vivifiquem, a fim de fazer luzir a esperança, esse sol dos infelizes. Esforcemo-nos por arrancar daí alguma vítima, por purificá-la, salvá-la do mal, abrir-lhe uma via honrosa. Só pelo devotamento e pela afeição encurtaremos as distâncias e preveniremos os cataclismos sociais, extinguindo o ódio que transborda do coração dos deserdados. Tudo o que fizermos pelos nossos irmãos gravar-se-á no grande livro fluídico, cujas páginas se expandem através do espaço, páginas luminosas onde se inscrevem nossos atos, nossos sentimentos, nossos pensamentos. E esses créditos ser-nos-ão regiamente pagos nas existências futuras. Nada fica perdido ou esquecido. Os laços que unem as almas na extensão dos tempos são tecidos com os benefícios do passado. A sabedoria eterna tudo dispôs para bem das criaturas. As boas obras realizadas neste mundo tornam-se, para aquele que as produziu, fonte de infinitos gozos no futuro. A perfeição do homem resume-se a duas palavras: Caridade e Verdade. A caridade é a virtude por excelência, pois sua essência é divina. Irradia sobre os mundos, reanima as almas como um olhar, como um sorriso do Eterno. Ela se avantaja a tudo, ao sábio e ao próprio gênio, porque nestes ainda há alguma coisa de orgulho, e às vezes são contestados ou mesmo desprezados. A caridade, porém, sempre doce e benevolente, reanima os corações mais endurecidos e desarma os Espíritos mais perversos, inundando-os com o amor.
TAG Valor
Título A Caridade
Parte Quinta
Título da Parte O Caminho Reto