Por que permanecestes tanto tempo estacionário, sem que fôsseis condenado a sofrer? – R. É que eu estava condenado ao tédio, que entre nós é um sofrimento. Tudo o que não é alegria, é dor.
3-a. Fostes, pois, forçado à erraticidade contra a vontade? – R. São coisas demasiado sutis para a vossa inteligência material.
3-b. Procurai explicar-me essas coisas; talvez comeceis a beneficiar-vos a vós mesmos. – R. Eu não conseguiria, por faltar-me termos de comparação. Uma vida sem proveito na Terra lega ao Espírito que a encarnou a mesma coisa que o fogo deixa ao papel que consumiu: fagulhas, que lembram às cinzas ainda compactas a sua proveniência, a causa do seu nascimento, ou, se o quiseres, da destruição do papel. Essas fagulhas são a lembrança dos laços terrestres que vinculam o Espírito, até que este disperse as cinzas do seu corpo. Só então, essência eterizada, o Espírito tem o conhecimento de si mesmo, desejando o progresso.