Mas ele acrescenta estas palavras notáveis: “Compreendo a necessidade de sofrer; compreendo que a impureza só se torna pura depois de transformada ao contato do fogo.” E mais adiante: “Se o arrependimento duplica o sofrimento, sei que esse sofrimento apenas durará um tempo, e que a felicidade me aguarda após a depuração.” Esta certeza o faz dizer: “Quero sofrer, sofrer muito, para mais depressa ser feliz.” Depois disto, é de admirar que um Espírito escolha terríveis provações em nova existência? Não está no caso de um doente que se resigna a uma operação dolorosa para ficar bom? ou no de um homem que se expõe a todos os perigos, que suporta todas as misérias, todas as fadigas e todas as privações, com vistas a adquirir a fortuna ou a glória? Nada há, pois, de irracional, no princípio da livre escolha das provas da vida.
Para aproveitá-la, a condição não é recuar. Ora, é recuar não as suportar com coragem e resignação.
Qual será a sorte de Louis-Henri numa nova existência?
Como expiou cruelmente suas faltas em sua última existência, e como no estado de Espírito é sincero o seu arrependimento e sérias as suas boas resoluções, é provável que seja posto em condições de reparar os erros, fazendo o bem. Mas como pagou sua dívida de sofrimentos corporais, não terá mais de passar pelas mesmas vicissitudes.
É o que lhe auguramos e, por isso, oramos por ele.