15. Por se tratar de uma espécie de evocação, compreende-se que o pensamento possa atrair a presença do Espírito em que se pensa. Entretanto, por que as pessoas em quem mais pensamos, que ardentemente desejamos tornar a ver, quase sempre jamais se apresentam a nós em sonho, ao passo que vemos outras que nos são indiferentes e nas quais nunca pensamos?
“Nem sempre os Espíritos podem manifestar-se visivelmente, mesmo em sonho e apesar do desejo que tenhais de vê-los. Causas independentes da vontade deles podem impedi-los de se apresentarem. Frequentemente, é também uma prova, que nem o mais ardente desejo é capaz de vencer. Quanto às pessoas que vos são indiferentes, embora não penseis nelas, é possível que pensem em vós. Aliás, não podeis formar ideia das relações que se contam no mundo dos Espíritos. Lá encontrareis novamente uma multidão de conhecidos íntimos, antigos ou recentes, de cuja existência não suspeitais quando despertos.”
OBSERVAÇÃO – Quando não dispomos de nenhum meio de controle para constatarmos a realidade das visões ou aparições, podemos sem dúvida lançá-las à custa da alucinação. Entretanto, quando são confirmadas pelos acontecimentos, ninguém tem o direito de atribuí-las à imaginação. Tais são, por exemplo, as aparições, que temos em sonho ou em estado de vigília, de pessoas em quem absolutamente não pensávamos, produzidas no momento em que morrem, e que vêm, por meio de sinais diversos, revelar as circunstâncias totalmente inesperadas do seu falecimento. Têm-se visto cavalos empinarem e empacarem, diante de aparições que assustam os seus condutores. Se a imaginação pode desempenhar algum papel entre os homens, certamente ela não representará coisa alguma para os animais. Aliás, se as imagens que vemos em sonho não passassem de efeito das nossas preocupações de vigília, nada explicaria o fato, tão frequente, de jamais sonharmos com aquilo em que mais pensamos.