E, em virtude da pausa mais longa que o mentor imprimiu à conversação, obtemperei:
— Convenhamos, porém, que os perseguidores se convertam, que se afastem definitivamente do mau caminho, depois de seviciarem o organismo das vítimas, durante longo tempo… Nesse caso, não terão elas o restabelecimento imediato? Não recuperarão o equilíbrio fisiológico integral? Com a bondade que lhe é peculiar, Alexandre respondeu:
— Já observei acontecimentos dessa ordem e, quando se verificam, os antigos verdugos se transformam em amigos, ansiosos de reparar o mal praticado. Por vezes, conseguem, recebendo a ajuda dos Planos superiores, a restauração da harmonia orgânica naqueles que lhes suportaram a desumana influência; no entanto, na maioria dos casos, as vítimas não mais restabelecem o equilíbrio do corpo.
— E permanecem de saúde incompleta até ao sepulcro? — Perguntei, fortemente impressionado.
— Sim, — elucidou Alexandre, tranquilamente. Observando-me, porém, o espanto enorme, o orientador acrescentou:
— Seu assombro prende-se ainda à deficiente análise humana. O perseguidor, reconhecido como tal, entre os companheiros encarnados, pode revelar modificações, mas talvez a vítima suposta não esteja convertida. Na obsessão, as dificuldades não são unilaterais. O eventual afastamento do perseguidor nem sempre significa a extinção da dívida. E, em qualquer parte do Universo, André, receberemos sempre de acordo com as nossas próprias obras. () O assunto sugeria grandes e belas interrogações, mas exigências outras requisitavam-nos mais além. Alexandre dispôs-se a partir, despedindo-se, afetuoso, dos cooperadores, e acompanhei-o, em silêncio, meditando na grandeza das mínimas disposições da Justiça Divina.