Capítulo 172
“Os manjares são para o ventre, e o ventre para os manjares; Deus, porém, aniquilara tanto um como os outros.” - Paulo. (I Coríntios, 6:13.) O alimento do corpo e da alma, no que se refere ao pão e à emoção, representa meio para a evolução e não o fim da evolução em si mesma. Há criaturas, no entanto, que fazem do prato e do continuísmo simplista da espécie únicas razões de ser em toda a vida. Trabalham para comer e procriam sem pensar. Quando se lhes fala do espírito ou da eternidade, bocejam despreocupadas, quando não trocam, aflitivamente, de assunto. Efetivamente, a satisfação dos sentidos fisiológicos é para a alma o amparo que o solo e o adubo constituem para a semente. Todavia, se a semente persiste em reter-se na cova para gozar as delicias do adubo, contrariando a Divina Lei, nunca se lhe utilizará a colaboração preciosa. Valioso e indispensável à experiência física é o estômago. Veneráveis e sublimes são as faculdades criadoras. Urge, contudo, entender as necessidades do espírito imperecível. Esclarecimento pelo estudo, crescimento mental pelo trabalho e iluminação pela virtude santificante são imperativos para o futuro estágio dos homens. Quem gasta o tempo consagrando todas as forças da alma às fantasias do corpo, esquecendo-se de que o corpo deve permanecer a serviço da alma, cedo esbarrará na perturbação, na inutilidade ou na sombra. Para a comunidade dos aprendizes aplicados e prudentes, todavia, brilha no Evangelho o eloqüente aviso de Paulo: “Os manjares são para o ventre e o ventre para os manjares; Deus, porém, aniquilará tanto um como os outros”.
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Médium Francisco Cândido Xavier
Coleção Fonte Viva
Volume 3
Número 172
Nome do Capítulo Manjares