Efeitos da Prece
Os Espíritos sofredores ligam-se aos que oram por eles, como o ser reconhecido àquele que lhe faz bem. Essa mesma viúva do Malabar compareceu várias vezes às nossas reuniões sem ser chamada; dizia vir para instruir-se. Acompanhava-nos até mesmo na rua, conforme constatamos com o auxílio de um médium vidente. O assassino Lemaire, cuja evocação relatamos no número do mês de março de 1858, evocação que, diga-se de passagem, tinha excitado a verve trocista de alguns cépticos, esse mesmo assassino, infeliz, abandonado, encontrou em um de nossos leitores um coração compassivo, que teve piedade dele; muitas vezes veio visitá-lo e procurou manifestar-se por todos os tipos e meios até que essa pessoa, tendo tido ocasião de esclarecer-se sobre essas manifestações, soube que era Lemaire, que lhe queria testemunhar o seu reconhecimento. Quanto teve oportunidade de externar seu pensamento, disse-lhe: “Obrigado, alma caridosa! Eu me achava só com os remorsos de minha vida passada e tivestes piedade de mim; estava abandonado e pensastes em mim; encontrava-me no abismo e me estendestes a mão! Vossas preces foram para mim como um bálsamo consolador; compreendi a enormidade de meus crimes e peço a Deus que me conceda a graça de os reparar em uma nova existência, onde possa fazer tanto bem quanto fiz de mal. Obrigado outra vez, muito obrigado!” Eis a opinião atual de um ilustre ministro protestante, o Sr. Adolphe Monod, morto em abril de 1856, sobre os efeitos da prece: “O Cristo disse aos homens: Amai-vos uns aos outros. Essa recomendação encerra a de empregar todos os meios possíveis para testemunhar afeição aos nossos semelhantes, sem por isso entrar em detalhes quanto à maneira de atingir esse objetivo. Se é verdade que nada pode desviar o Criador de aplicar a justiça, de que ele próprio é modelo, a todas as ações do Espírito, não é menos verdade que a prece que lhe dirigis, em favor daquele por quem vos interessais, é para este último um testemunho da lembrança que não poderá senão contribuir para aliviar-lhe os sofrimentos e o consolar. Desde que testemunha o menor arrependimento, só então é socorrido; mas não lhe deixam jamais ignorar que uma alma simpática dele se ocupou. Esse pensamento o incita ao arrependimento e o deixa na doce persuasão de que a sua intercessão lhe foi útil. Disso resulta, necessariamente, de sua parte, um sentimento de reconhecimento e de afeto por aquele que lhe deu esta prova de consideração e de piedade. Conseqüentemente, o amor recomendado pelo Cristo aos homens não fez senão crescer entre eles; ambos obedeceram à lei de amor e de união entre todos os seres, lei de Deus que deve conduzir à unidade, que é a finalidade do Espírito.” – Nada tendes a acrescentar a estas explicações? Resp. – Não; elas encerram tudo. – Agradeço-vos por haverdes por bem no-las transmitir. Resp. – Para mim é uma felicidade poder contribuir para a união das almas, união que os Espíritos bons procuram fazer prevalecer sobre todas as questões de dogma que as dividem.
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Mês Dezembro
Ano 1859