Uma reunião é um ser coletivo, cujas qualidades e propriedades são a resultante das de seus membros, formando uma espécie de feixe. Ora, quanto mais homogêneo for esse feixe, tanto mais força terá. Se ficou bem compreendido o que foi dito no item 282, pergunta 5, sobre a maneira pela qual os Espíritos são avisados do nosso chamado, facilmente se compreenderá o poder da associação do pensamento dos assistentes. Já que o Espírito é de certo modo alcançado pelo pensamento, como nós o somos pela voz, 20 pessoas, unindo-se com a mesma intenção, terão necessariamente mais força do que uma só, mas, a fim de que esses pensamentos concorram para o mesmo fim, é preciso que vibrem em uníssono, que se confundam, por assim dizer, em um só, o que não pode se dar sem o recolhimento.
Por outro lado, chegando a um meio que lhe seja completamente simpático, o Espírito se sentirá mais à vontade. Sabendo que só encontrará amigos, virá de boa vontade e mais disposto a responder. Quem quer que haja acompanhado com alguma atenção as manifestações espíritas inteligentes já deve ter se convencido desta verdade. Se os pensamentos forem divergentes, resultará daí um choque de ideias desagradáveis para o Espírito e, por conseguinte, prejudicial à comunicação. Acontece a mesma coisa com um homem que tenha de falar perante uma assembleia: se sente que todos os pensamentos lhes são simpáticos e benévolos, a impressão que recebe reage sobre as suas próprias ideias e lhes dá mais vivacidade. A unanimidade desse concurso exerce sobre ele uma espécie de ação magnética que decuplica seus recursos, ao passo que a indiferença e a hostilidade o perturbam e paralisam. É por isso que os aplausos arrebatam os atores. Ora, os Espíritos, muito mais impressionáveis do que os humanos, devem sofrer mais fortemente ainda a influência do meio.
Toda reunião espírita deve, pois, buscar a maior homogeneidade possível. Estamos nos referindo, naturalmente, àquelas em que se deseja chegar a resultados sérios e verdadeiramente úteis. Se o que se quer é apenas obter comunicações, sejam estas quais forem, sem nenhuma atenção à qualidade dos que as deem, evidentemente tais precauções se tornam desnecessárias, mas, então, ninguém deve se queixar da qualidade do produto.