Nós te inspiramos a abraçares a religião de Abraão, que reconhece a unidade de Deus e que só adora a sua majestade suprema. – Emprega a voz da sabedoria e da força da persuasão para chamar os homens a Deus. Combate com as armas da eloqüência. Deus conhece perfeitamente os que estão transviados e os que marcham à luz da fé. (Surata XVI, v. 124, 126).
Se te acusam de impostura, responde-lhes: “Tenho por mim as minhas obras; que as vossas falem em vosso favor. Não sereis responsáveis pelo que faço e eu sou inocente pelo que fazeis.” (Surata X, v. 42).
Quando se cumprirão tuas ameaças? perguntam os infiéis. Marca-nos um termo, se és verídico. Responde-lhes: “Os tesouros e as vinganças celestes não estão em minhas mãos; só Deus é o seu dispensador. Cada nação tem o seu termo fixado; ela não poderia apressá-lo ou retardá-lo um instante.”
(Surata X, v. 49, 50).
Se negam a tua doutrina, sabe que os profetas vindos antes de ti sofreram a mesma sorte, embora os milagres, a tradição e o livro que esclarece (o Evangelho) atestassem a verdade de sua missão. (Surata XXXV, v. 23).
A cegueira dos infiéis te surpreende e eles riem de teu assombro. – Em vão tu queres instruí-los: seu coração rejeita o ensino. – Se vissem milagres, zombariam; – eles o atribuiriam à magia. (Surata XXXVII, v. 12 a 15).
Estas não são ordens de um Deus sanguinário, que ordena o extermínio. Maomé não se faz o executor de sua justiça; seu papel é o de instruir. Só a Deus cabe punir ou recompensar neste mundo e no outro. O último parágrafo parece escrito para os espíritas de nossos dias, tanto são os homens os mesmos, sempre e por toda parte.
Fazei a prece, dai esmolas; o bem que fizerdes encontrareis junto a Deus, porque ele vê vossas ações. (Surata II, v. 104).
Para ser justificado não basta virar o rosto para o oriente e para o ocidente; também é preciso crer em Deus, no juízo final, nos anjos, no Alcorão, nos profetas. É preciso pelo amor de Deus socorrer o próximo, os órfãos, os pobres, os viajantes, os cativos e os que demandam. É preciso fazer a prece, guardar sua promessa, suportar pacientemente a adversidade e os males da guerra. Tais os deveres dos verdadeiros crentes. (Surata II, v. 172).
Uma palavra honesta e o perdão das ofensas são preferíveis à esmola que resultasse da injustiça. Deus é rico e clemente. (Surata II, v. 265).
Se vosso devedor tem dificuldade em vos pagar, concedei-lhe tempo; ou, se quiserdes fazer melhor, perdoai-lhe a dívida. Se soubésseis! (Surata II, v. 280).
A vingança deve ser proporcional à injúria; mas o homem generoso que perdoa tem sua recompensa assegurada junto a Deus, que odeia a violência. (Surata XLII, v. 38).
Combatei vossos inimigos na guerra empreendida pela religião, mas não ataqueis primeiro; Deus odeia os agressores. (Surata II, v. 186).
Certamente os muçulmanos, os judeus, os cristãos e os sabeístas, que crêem em Deus e no juízo final, e que fizeram o bem, receberão a recompensa de suas mãos; estarão isentos do temor e dos suplícios. (Surata V, v. 73).
Não façais violência aos homens por causa de sua fé. A estrada da salvação é bem distinta do caminho do erro. Aquele que abjurar o culto dos ídolos pela religião santa terá agarrado uma coluna inabalável. O senhor sabe e ouve tudo. (Surata II, v. 257).
Não disputeis com os judeus e os cristãos senão em termos honestos e moderados. Entre eles confundi os ímpios. Dizei: Nós cremos no livro que nos foi revelado e em vossas escrituras. Nosso Deus e o vosso são apenas um. Somos muçulmanos. (Surata XXIX, v. 45).
Os cristãos serão julgados conforme o Evangelho; os que os julgarem de outro modo serão prevaricadores. (Surata V, v. 51).
Nós demos o Pentateuco a Moisés. É à sua luz que deve marchar o povo hebreu. Não duvideis de encontrar no céu o guia dos israelitas. (Surta XXXII, v. 23).
Se os judeus tivessem a fé e o temor do Senhor, nós apagaríamos os seus pecados; introduzi-los-íamos no jardim das delícias. A observação do Pentateuco, do Evangelho e dos preceitos divinos proporcionar-lhes-ia o gozo de todos os bens. Há entre eles os que marcham no bom caminho, mas em sua maioria são ímpios. (Surata V, v. 70).
Dize aos judeus e aos cristãos: “Terminemos nossas diferenças; admitamos apenas um Deus e não lhe demos um igual; que nenhum de nós tenha outro Senhor senão ele.” Se recusarem obedecer, dizei-lhes: “Pelo menos dareis testemunho que, quanto a nós, somos crentes.” (Surata III, v. 57).
Eis certas máximas de caridade e de tolerância, que gostaríamos de ver em todos os corações cristãos!
Nós te enviamos a um povo, que outros povos precederam, para que lhes ensines as nossas revelações. Eles não crêem nos misericordiosos. Dizei-lhes: “Ele é meu Senhor; não há Deus senão ele. Pus minha confiança em sua bondade. Reaparecerei diante de seu tribunal. (Surata XIII, v. 29).
Trouxemos aos homens um livro no qual brilha a ciência que deve esclarecer os fiéis e lhes proporcionar a misericórdia divina. – Esperam eles a realização do Alcorão? No dia em que for cumprido, os que tiverem vivido no esquecimento de suas máximas dirão: “Os ministros do Senhor nos pregavam a verdade. Onde encontraremos agora intercessores? Que esperança teremos de voltar à Terra para nos corrigirmos?” Eles perderam suas almas e suas ilusões desapareceram. (Surata VII, v. 50, 51).
A palavra voltar implica a idéia de já ter aparecido, isto é, de ter vivido antes da existência atual. Maomé o exprime claramente quando diz alhures: “Reaparecereis diante dele e ele vos mostrará as vossas obras. Voltareis diante do Deus de verdade.” É o fundo da doutrina da preexistência da alma, ao passo que, segundo a Igreja, a alma é criada ao nascer de cada corpo. A pluralidade das existências terrestres não está indicada no Alcorão de maneira tão explícita quanto no Evangelho; entretanto, a idéia de reviver na Terra entrou no pensamento de Maomé, pois tal seria, segundo ele, o desejo dos culpados de se corrigirem. Assim ele compreendeu que seria útil poder recomeçar uma nova existência.
Quando se lhes pergunta: Credes no que Deus enviou do céu? Eles respondem: “Cremos nas escrituras que recebemos.” E repelem o livro verdadeiro, vindo depois, para pôr o selo em seus livros sagrados. Dizei-lhes: “Por que matastes os profetas se tínheis fé?” (Surata II, v. 85).
Maomé não é o pai de nenhum de vós. É o enviado de Deus e o selo dos profetas. A ciência de Deus é infinita. (Surata XXXIII, v. 40).
Dando-se como o selo dos profetas, Maomé anuncia que é o último, a conclusão, porque disse toda a verdade; depois dele não virão outros. É um artigo de fé entre os muçulmanos. Do ponto de vista puramente religioso, ele caiu no erro de todas as religiões que se julgam inamovíveis, mesmo contra o progresso das ciências; mas para ele era quase uma necessidade, a fim de afirmar a autoridade de sua palavra num povo que lhe havia criado tanta dificuldade para converter à sua fé. Do ponto de vista social era um erro, porque o Alcorão, tanto como legislação civil quanto religiosa, pôs um freio no progresso. Tal a causa que tornou, e ainda tornará por muito tempo, os povos muçulmanos estacionários e refratários às inovações e às reformas que não se acham no Alcorão. É um exemplo do inconveniente que há em confundir o que deve ser distinto. Maomé não levou em conta o progresso humano. É um erro comum a quase todos os reformadores religiosos. Por outro lado, não só era preciso reformar a fé, mas o caráter, os usos, os hábitos sociais de seus povos; era-lhe necessário apoiar suas reformas na autoridade da religião, como o fizeram todos os legisladores dos povos primitivos. A dificuldade era grande, sem dúvida; contudo, ele deixa uma porta aberta à interpretação e às modificações, dizendo que “Deus sempre pode substituir o que deu por algo de melhor.”
Não vos é permitido desposar vossas mães, vossas filhas, vossas irmãs, vossas tias paternas e maternas, vossas sobrinhas, vossas irmãs de leite, as mães de vossas esposas, as meninas confiadas à vossa tutela e filhas de mulheres com as quais tenhais coabitado. Não desposeis, também, as filhas dos vossos filhos que tiverdes gerado, nem duas irmãs. É-vos proibido desposar mulheres casadas, exceto as que caírem em vossas mãos como escravas.
(Surata IV, v. 27 e seg.).
Estas prescrições podem dar uma idéia da desmoralização destes povos. Para ser obrigado a proibir tais abusos, era preciso que existissem.
Esposas do Profeta, ficai no interior de vossas casas. Não vos adorneis faustosamente, como nos dias de idolatria. Fazei a prece e dai esmola.
Obedecei a Deus e a seu apóstolo. Ele quer afastar o vício de vossos corações.
Sois da família do Profeta e deveis ser puras. – Zeid repudiou a sua esposa.
Nós te unimos com ela, para que os fiéis tenham a liberdade de desposar as mulheres de seus filhos adotivos, após o repúdio. O preceito divino deve ter sua execução. – Ó Profeta, a ti é permitido desposar as mulheres que tiveres adotado, as cativas que Deus fez cair em tuas mãos, as filhas de teus tios e de tuas tias que fugiram contigo, e toda mulher fiel que te der seu coração. É um privilégio que nós te concedemos. – Não aumentarás o atual número de tuas esposas; não poderás trocá-las por outras cuja beleza te haja tocado. Mas a convivência com tuas mulheres escravas te é sempre permitida. Deus observa tudo.
(Surata XXXIII, v. 37, 49, 52).