XX
1. ORIENTAÇÃO ESPIRITUAL Mais de uma vez, em conversa comigo, lamentou a querida Yvone A. Pereira o fato de que tão poucos médiuns se dedicassem ao trabalho de orientação espiritual. A despeito de toda a sua intensa atividade no movimento espírita e fora dele, Yvone fez questão de reservar uma parcela de tempo a essa tarefa que sempre considerou da maior importância, pelos benefícios que pôde observar durante a sua longa prática mediúnica. Sou testemunha da sua dedicação a esse trabalho, que manteve enquanto teve forças para fazê-lo, sem prejuízo da participação nas demais tarefas de desobsessão, nas quais funcionou durante muitos e muitos anos como médium psicofônico e de psicografia, como médium respeitável, que produziu obras de grande valor doutrinário e documental como 'Memórias de um suicida' e Outras. Além de tudo isso, escreveu livros com os seus próprios recursos, como 'Recordações da mediunidade e Devassando o invisível', bem como artigos em publicações doutrinárias. Jamais abandonou, contudo, a tarefa da orientação. A mim mesmo atendeu, certa vez, num problema de natureza não-pessoal, por sugestão sua, aliás. Comentava eu a questão, quando ela propôs a consulta formal aos amigos espirituais. Dentro de alguns dias recebi, pelo correio, um texto psicografado subscrito pelo caríssimo dr. Bezerra. Sei que sua correspondência era bastante intensa por causa desse trabalho, e sei, também, que nunca deixava de atender, na medida das suas forças - que, nos últimos anos, não foram muitas. Eis aí um trabalho que, como os demais na área mediúnica, somente pode ser levado a bom termo se for realizado com a maior seriedade e com a melhor cobertura espiritual possível. Do contrário, converte-se, facilmente, em consultório sentimental de segunda categoria ou em 'BUENA DICHA'. A orientação feita com critério por um médium bem ajustado e sob o controle de espíritos responsáveis e esclarecidos pode significar, em muitos casos, a diferença entre o equilíbrio e a desarmonia, entre a pacificação e o conflito. Através dela temos oportunidade de ouvir uma opinião sensata e esclarecedora de alguém que está em melhores condições de oferecê-la. É o equivalente a uma conversa de vital importância com um amigo paternal, ou uma amiga maternal, que nos ajude a 'botar a cabeça no lugar certo', antes de resolver uma situação que nos parece irremediável, ou aceitar outra que se nos afigura insuportável. Não saberia dizer eu quantas vidas têm sido preservadas com isso e quantos laços de família têm sido consolidados ante a palavra serena e consoladora de amigos invisíveis. Sempre atenta às recomendações contidas na Codificação acerca do exercício da mediunidade, Regina procurou concentrar-se em duas faculdaades predominantes - a psicofonia e a psicografia -, ainda que, eventualmente, servisse de veículo a manifestações episódicas de vidência, efeitos físicos e outras, como vimos. Certa vez, contudo, foi levada em desdobramento a uma reunião no plano espiritual, onde encontrou vários dos seus amigos encarnados e desencarnados. Para sua surpresa e emoção, comunicaram-lhe que lhe estavam confiando uma tarefa paralela - a de receber orientação espiritual, pela psicografia. Seria um trabalho voltado exclusivamente para a orientação, o consolo, o esclarecimento e a pacificação, enfim, de pessoas encarnadas que, porventura, recorressem a ela em dificuldades emocionais. De volta à vida de vigília, Regina não se preocupou demais com o assunto. Não tinha grande experiência desse tipo de trabalho, mas confiava nos seus amigos espirituais que, sem dúvida, socorrê-la-iam, assistindo-a da melhor maneira possível. Do contrário, não lhe teriam atribuído a tarefa. Algumas semanas depois, uma entidade espiritual que ela não identificou, aproximou - se e lhe deu instruções sobre a maneira de proceder. Que se dedicasse à prece e à meditação, a horas certas, e escolhesse um dia da semana para isso, e que somente em casos de extrema necessidade poderiam atender-lhe fora desse esquema. Ela decidiu pelo dia em que, habitualmente, realiza seu culto evangélico no lar. As pessoas desejosas de orientação deveriam fornecer-lhe nome e endereço e aguardar. É um trabalho de psicografia igual aos outros. As folhas em branco, com nome e endereço anotados no alto, são colocadas sobre a mesa, enquanto ela faz suas preces e lê os textos escolhidos. A certa altura, terminada as leituras e as preces, ela coloca o papel à sua frente, toma do lápis e espera, em estado de 'concentração', ou seja, relaxamento. A entidade espiritual, então, se aproxima e transmite a orientação. Acontece-lhe, às vezes, ver na sua tela mental, enquanto psicografa, a imagem do consulente e sentir os seus problemas espirituais. Quando o problema está ligado a alguma existência anterior - e isso é comum -, ela entrevê cenas que se projetam como num vídeo-teipe, suponho eu que pelo processo que resolvemos denominar de visão diencefálica. Em alguns casos, a entidade dá certas informações adicionais, sem fazê-las constar do texto psicografado. Isto ocorre, principalmente, quando o pedido é formulado por terceiros, em favor de alguém. Explica-se: nem sempre a pessoa está em condições suficientes de equilíbrio para tomar conhecimento de certos aspectos da sua problemática ou, então, é uma criança que não tem como conhecer o texto. O trabalho é de responsabilidade do espírito que lhe propôs o esquema disciplinar, embora ele não se identifique. Eventualmente, contudo, ele parece permitir que outros espíritos se incumbam de certas solicitações. Suponho que sejam entidades mais ligadas aos consulentes. Em alguns casos, a tarefa de responder às consultas é confiada a espíritos femininos, ao que depreendo por causa de maior acuidade e percepção de certos aspectos dos problemas envolvidos. Nunca, porém, nunca mesmo, a página de orientação pretende ser mais do que isso, não transmitindo ordens, proibindo coisas ou sugerindo procedimentos exóticos. Nada disso. É uma opinião, um conselho, uma sugestão, quase sempre com apoio em esclarecimentos que explicam a situação de crise em que se acha a pessoa. Outro aspecto importante: os benfeitores espirituais responsáveis por essas páginas não têm o hábito de atribuir qualquer distúrbio emocional ou psíquico à mediunidade embotada ou a obsessores desencarnados. Só quando, no entender deles, a situação é essa mesma; então, dizem uma palavra sobre esse aspecto particular, sugerindo esta ou aquela orientação. Em suma, não são entidades oraculares dispostas a decidir o futuro do consulente: são amigos mais experimentados e com uma visão mais ampla dos problemas suscitados e que se limitam a dar uma discreta opinião. O que não impede de serem um tanto severos, às vezes, quando entendem ser necessário. Como não houve nenhuma preocupação estatística ou de fichário, não se cuidou de registrar, um por um, os casos. Ficou, porém, um acervo suficiente de testemunhos, sobre os quais podemos comentar alguns aspectos, preservando-se a identidade das pessoas envolvidas. Vamos, portanto, a alguns exemplos ilustrativos, colhidos sem nenhum plano preestabelecido, ou propósito específico. CASO N° 1 Trata-se de um jovem de inteligência brilhante (superestimada pelo próprio, mas real), profundamente desarmonizado em virtude do que se poderia chamar de uma 'indigestão intelectual, ou seja, leituras desordenadas e questionamento excessivo e estéril acerca dos problemas da vida. A consulta foi feita pela mãe, e da resposta não tomou conhecimento o jovem, por óbvias razões. Vejamos o texto da orientação: "Entidade altamente comprometida. Utilizou a inteligência como instrumento de tortura, em várias existências. O aparente caos mental em que se encontra é recurso da lei que visa auxiliá-lo a recompor-se e reestruturar o campo mental. Orgulho e vaidade ainda são evidentes. A entidade sente-se humilhada ante dificuldades e limitações. Precisa ser encorajado a aceitar-se como é para que procure ser o que deseja ser, amanhã. "Não há interferência de entidades desequilibradas porque lhe foi concedida uma posição de relativa proteção, mesmo dentro da aparente confusão mental. Voltasse ao completo domínio do seu potencial intelectual e logo sintonizaria com asseclas e desafetos. "Recomendam-se paciência, aceitação, trabalho de reequilíbrio, desenvolvendo os bons sentimentos através do trabalho da caridade. Sensação de culpa deve ser combatida porque, em realidade, resulta de sentimentos mais profundos de autocomiseração e orgulho ferido. Não adianta, agora, lamentar o passado. Há que reestruturar-se para promover o próprio reerguimento. "A genitora deve se pacificar, compreendendo bem o quadro cármico para ajudar com proveito. Deve admitir que recebeu uma entidade que se desviou, precisamente para ajudá-la a reencaminhar-se. Não o lamente, nem se lamente. Antes, agradeça a sabedoria de Deus que lhe ajuda o filho, cerceando-lhe o poder mental. Que converse com o filho e pratique o culto do lar, ainda que somente com ele. "Não seria aconselhável levar ao conhecimento da entidade todo o teor desta orientação. Isto lhe agravaria a problemática, atingindo-lhe o orgulho e a vaidade, ainda não dominados." Detalhe relevante que me esqueci de mencionar: o jovem sofria de um indefinível, mas muito concreto, sentimento de culpa. Dizia ter 'pecados' horríveis na consciência, mas não saberia explicá-los, porque certamente estavam na 'consciência' do inconsciente. CASO N° 2
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Nome do Capítulo Atividades paralelas e complementares