Capítulo 23
A história do bom samaritano, repetidamente estudada, oferece conclusões sempre novas. O viajante compassivo encontra o ferido anônimo na estrada. Não hesita em auxiliá-lo. Estende-lhe as mãos. Pensa-lhe as feridas. Recolhe-o nos braços sem qualquer idéia de preconceito. Conduze-o ao albergue mais próximo. Garante-lhe a pousada. Olvida conveniências e permanece junto dele, enquanto necessário. Abstém-se de indagações. Parte ao encontro do dever, assegurando-lhe a assistência com os recursos da própria bolsa, sem prescrever-lhe obrigações. Jesus transmitiu-nos a parábola, ensinando-nos o exercício da caridade real, mas, até agora, transcorridos quase dois milênios, aplicamo-la, via de regra, às pessoas que não nos comungam o quadro particular. Quase sempre, todavia, temos os caídos do reduto doméstico. Não descem de Jerusalém para Jericó, mas tombam da fé para a desilusão e da alegria para a dor, espoliados nas melhores esperanças, em rudes experiências. Quantas vezes surpreendemos as vítimas da obsessão e do erro, da tristeza e da provação, dentro de casa ! Julgamos, assim, que a parábola do bom samaritano produzirá também efeitos admiráveis, toda vez que nos decidirmos a usá-la, na vida íntima, compreendendo e auxiliando os vizinhos e companheiros, parentes e amigos, sem nada exigir e sem nada perguntar.
TAG Valor
Nome do Capítulo NA INTIMIDADE DOMÉSTICA