3. Com que fim Espíritos sérios parecem aceitar, junto de certas pessoas, ideias e preconceitos que combatem junto de outras?
“É preciso que nos entendamos. Se alguém tem uma convicção bem firmada sobre uma doutrina, ainda que falsa, devemos afastá-lo dessa convicção, mas pouco a pouco. É por isso que muitas vezes nos servimos de seus termos e aparentamos concordar com suas ideias, a fim de que não fique de súbito ofuscado e não deixe de se instruir conosco.
“Aliás, não se deve atacar bruscamente os preconceitos, pois esse seria o meio de não se ser ouvido. É também a razão que pode levar os Espíritos a falarem de acordo com a opinião dos que os ouvem, de modo a trazê-los pouco a pouco à verdade. Os Espíritos apropriam sua linguagem às pessoas, como tu mesmo farás, se fores um orador mais ou menos hábil. É por isso que eles não falam a um chinês, ou a um muçulmano, como falarão a um francês, ou a um cristão, pois, com certeza, serão repelidos.
“Não se deve tomar como contradição o que geralmente é apenas uma fase da elaboração da verdade. Todos os Espíritos têm a sua tarefa designada por Deus, desempenhando-a dentro das condições que julgam convenientes para beneficiar as pessoas que lhes recebem as comunicações.”