Senhor Allan Kardec, nosso caro mestre, Em nome de todos os operários espíritas de Bordeaux, meus amigos e irmãos, permito-me erguer um brinde à vossa prosperidade. Embora já chegado a uma alta perfeição, que Deus vos faça crescer ainda nos bons sentimentos que vos têm animado até hoje e, sobretudo, vos faça crescer aos olhos do Universo e no coração dos que, seguindo vossa doutrina, se aproximam de Deus.
Nós, que somos do número dos que a professam, vos bendizemos do fundo do coração e rogamos ao nosso Criador para que vos deixe ainda muito tempo entre nós, a fim de que, quando vossa missão estiver terminada, já estejamos bastante firmes na fé para nos conduzirmos sozinhos, sem nos afastar do bom caminho.
Para nós é uma felicidade inefável ter nascido numa época em que podemos ser esclarecidos pelo Espiritismo. Mas não basta conhecer e desfrutar essa felicidade; com a doutrina, contraímos compromissos que consistem em quatro deveres diferentes: dever de submissão, que nos faça ouvir com docilidade; dever de afeição, que nos faça amar com ternura; dever de zelo, para atender seus interesses com ardor; dever de prática, que nos faça honrá-la por nossas obras.
Estamos no seio do Espiritismo e o Espiritismo é para nós uma firme consolação em nossas penas. Não podemos negar que há momentos na vida em que a razão talvez pudesse nos sustentar, mas outros há em que se tem necessidade de toda fé que dá o Espiritismo, para não sucumbir. Em vão os filósofos vêm pregar uma firmeza estóica, enunciar suas pomposas máximas, dizer-nos que nada os perturba, que o homem é feito para se possuir a si mesmo e dominar os acontecimentos da vida. Tristes consolações! Longe de suavizar a dor, eles a tornam mais amarga; em todas as suas palavras só encontramos o vazio e a esterilidade.
Mas o Espiritismo nos vem em socorro, provando que nossa própria aflição pode contribuir para a nossa felicidade.
Sim, caro mestre, continuai vossa augusta missão.
Continuai a nos mostrar esta ciência, que vos é ditada pela bondade divina, nosso consolo durante a vida e pensamento inabalável que nos sustentará por ocasião da morte.
Recebei, caro mestre, estas poucas palavras, brotadas do coração de vossos filhos, porquanto sois o pai de todos nós; pai da classe laboriosa e dos aflitos. Como bem o sabeis, progresso e sofrimento marcham juntos; mas, quando o desespero oprimia os nossos corações, viestes trazer-nos força e coragem. Sim, ao nos mostrardes o Espiritismo, dissestes: “Irmãos, coragem! Suportai corajosamente as provas que vos são enviadas, e Deus vos bendirá”. Sabei, pois, que somos apóstolos devotados e que neste século, como nos que se seguirão, vosso nome será abençoado pelos nossos filhos e pelos nossos amigos operários.