Capítulo 38
Xenoglossia — ou mediunidade poliglota — é a faculdade pela qual o médium se expressa, oral ou graficamente, por meio de idioma que não conhece na atual encarnação. Há uma interessante monografia de Ernesto Bozzano, por sinal o mais completo estudo que conhecemos sobre o assunto, a qual serviu, subsidiariamente, para os nossos apontamentos. O presente capítulo deve, pois, ser considerado como o resultado das observações que extraímos do livro "Nos Domínios da Mediunidade" e das valiosíssimas anotações de Bozzano, em sua obra "Xenoglossia". A mediunidade poliglota pode ser classificada da seguinte maneira: a) — Falante (pela incorporação ou na materialização); b) — Audiente; c) — Escrevente (psicografia ou tiptologia); d) — Voz direta; e) — Escrita direta (mãos visíveis ou invisíveis). Xenoglossia falante é a em que o médium, incorporado, fala em qualquer idioma, seja inglês ou francês, latim ou hebraico, sem conhecer essas línguas. Pode, também, ouvir os Espíritos em outros idiomas, psicografar mensagens e, ainda, possibilitar sejam grafados caracteres estranhos, em lousas e paredes. Prescindimos de mencionar inúmeros casos, verificados em cada uma dessas modalidades, por não ser este o escopo fundamental deste livro. Todavia, podemos afirmar que não são apenas os tratados e monografias que registram tais fenômenos. O Velho e o Novo Testamento são ricos em comunicações xenoglóssicas. A mediunidade poliglota tem a sua causa no recolhimento de valores intelectuais do passado, os quais repousam na subconsciência do sensitivo ou médium. Ela decorre, primordialmente, de um simples fenômeno de sintonia no tempo. Que é "sintonia no Tempo"? É o processo pelo qual a mente humana, ligando-se ao pretérito distante, provoca a emersão, das profundezas subconscienciais, de expressões variegadas e multiformes que ali jazem adormecidas. A subconsciência é o "porão da individualidade". Lá se encontram "guardados" todos os valores intelectuais e conquistas morais acumulados em várias reencarnações, como fruto natural de sucessivas experiências evolutivas. Só pode ser médium poliglota aquele que já conheceu, noutros tempos, o idioma pelo qual se expresse durante o transe. A criatura que, noutras encarnações, não conheceu o latim, não pode, mediunizada, expressar-se por ele. É o que se depreende, por sinal com muita lógica, da explicação do Assistente Áulus: "Quando um médium analfabeto se põe a escrever sob o controle de um amigo domiciliado em nosso plano, isso não quer dizer que o mensageiro espiritual haja removido milagrosamente as pedras da ignorância. Mostra simplesmente que o psicógrafo traz consigo, de outras encarnações, a arte da escrita já conquistada e retida no arquivo da memória, cujos centros o companheiro desencarnado consegue manobrar." Não basta, por conseguinte, ser médium para receber comunicações em outras línguas. É preciso tê-las conhecido no passado ou conhecê-las no presente. A leitura da excelente monografia de Bozzano e do livro ora apreciado, elucida exuberantemente o assunto, e confirma, sem dúvida, essa conclusão.
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Nome do Capítulo Mediunidade poliglota