A força, dissemo-lo em página anterior, em certo grau de evolução, torna-se inteligente. Piobb, inspirando-se nas obras de Flammarion, pôde escrever: “Resulta das experiências feitas que a faísca globular possua estabilidade considerável”. É possível tocá-la com uma lâmina metálica e mudá-la de lugar, sem a descarregar. Tem-se observado que o raio esférico não é atraído por um pára-raios, e que este não protege, de forma alguma, as habitações.
Além disso, ele parece conduzir-se algumas vezes nas condições de um ser inteligente. Opera mil fantasias, ora com violência, ora com calma, e mostra-se, de alguma sorte, refletido em seus atos. Dir-se-ia que é capaz de certos pensamentos. “Na sua maneira de abrir uma porta ou janela, dando volta ao ferrolho, de folhear um livro, de deslocar os objetos, faz prova de uma lógica rudimentar que, até aqui, só se reconhecia aos seres vivos.” (Psyché, novembro, 1914, pág. 195.)
Sobre o assunto das imensas fontes de energia, de que já falamos, escreve Gustave Le Bon:
“Remontando às causas de emissão de eflúvios, podendo derivar de todos os corpos em vertiginosa velocidade, determinaríamos a existência de uma energia introatômica, desconhecida até aqui, e que excede, entretanto, todas as forças conhecidas – por sua colossal grandeza. Não podemos liberá-la ainda senão em quantidade muito fraca; mas, do cálculo dessa quantidade, pode-se deduzir que, se fosse possível extrair inteiramente toda a energia contida em um grama de qualquer matéria, tal energia poderia produzir trabalho igual ao obtido pela combustão de muitos milhões de toneladas de carvão. A matéria aparece-nos na condição de um reservatório enorme de energia. A verificação da existência dessa força, ignorada durante tão longo tempo, apesar de sua formidável grandeza, nos revelará imediatamente a fonte, misteriosa ainda, da energia manifestada pelos corpos durante sua radioatividade.” (Revue Scientifique, 17 de outubro de 1903).