Gontran, Vencedor das Corridas de Chantilly
Relatando o fato, já que mereceu grande publicidade, quisemos ressaltar as suas conseqüências; mas não o teríamos feito sem comentários e a título de simples anedota. O Espiritismo é uma mina inesgotável de assuntos de observação e de estudo por suas inumeráveis aplicações. Diz o autor do artigo no preâmbulo: “Mostrai-nos fatos.” Por certo ele imagina que os Espíritos obedecem a ordens e que os fenômenos são obtidos à vontade, como as experiências num laboratório ou como os truques de escamoteação. Ora, não é assim que acontece. Aquele que quer fenômenos não deve pedir que lhos tragam, mas procurá-los, observá-los e aceitar os que se apresentam. Esses fenômenos são de duas naturezas: os que são produto dos médiuns propriamente ditos e que, até certo ponto, podem ser provocados, e os fenômenos espontâneos. Estes últimos têm, para os incrédulos, a vantagem de não serem suspeitos de preparação; são numerosos e se apresentam sob uma variedade infinita de aspectos, tais como: aparições, visões, pressentimentos, dupla vista, ruídos insólitos, algazarra, perturbações, obsessões, etc. O caso do Sr. Bach pertence a esta categoria e o de Gontran à primeira. Para quantos queiram convencer-se seriamente, os fatos não faltam e aquele que os pede talvez os tenha testemunhado mais de uma vez sem o suspeitar; erra, porém, a maioria por querer fatos à sua maneira, a hora marcada, e não se contentar com os que a Providência põe sob os nossos olhos. A incerteza da obtenção desses fenômenos e a impossibilidade de os provocar à vontade são provas de sua realidade, porque se fossem produto do charlatanismo ou de meios fraudulentos, jamais faltariam. O que falta a certas pessoas não são fatos, mas paciência e vontade de buscar e estudar os que se apresentam.
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Mês Julho
Ano 1865