Uma instrução de catecismo
A história dos dois velhos, a que se faz alusão, é inexata; foi provado, por documentos oficiais, registrados no tribunal e, notadamente por cartas por eles escritas antes da morte, que se suicidaram em conseqüência de perdas de dinheiro e do temor de cair na miséria (Vide a Revista Espírita de abril de 1863). A dos quarenta indivíduos confinados numa casa de alienados não é mais verídica. Seria muito constrangedor justificar tal história pelos nomes desses pretensos loucos, que um primeiro jornal fixou em quatro, um segundo em quarenta, um terceiro em quatrocentos e, por fim, um quinto dizia que trabalhavam na ampliação do hospício. Um instrutor de catecismo deveria colher seus dados históricos em outras fontes que não fossem as fofocas de jornais. As crianças a quem enunciam seriamente essas coisas as aceitam com confiança; mas, quanto maior a confiança, mais forte a reação contrária quando, mais tarde, souberem a verdade. Isto é dito em sentido geral e não exclusivamente para o Espiritismo. Se analisamos este trabalho para meninos, fique bem entendido que não é a sua opinião que refutamos, mas aquela da qual a narração é um resumo. Se se investigasse com cuidado todas as instruções dessa natureza, ficaríamos menos admirados dos frutos recolhidos mais tarde. Para instruir a infância é preciso grande tato e muita experiência, porque é inimaginável o alcance que poderá ter uma única palavra imprudente que, como o joio, germina nessas jovens imaginações como em terra virgem. Parece que os adversários do Espiritismo não acham que a idéia esteja bastante espalhada; dir-se-ia que, mau grado seu, são impelidos a inventar meios para difundi-la ainda mais. Depois dos sermões, cujo resultado é conhecido, não se podia achar um mais eficaz do que fazê-lo tema das instruções e deveres do catecismo. Os sermões atuam sobre a geração que se vai; as instruções predispõem a geração que chega. Assim, laboraríamos em erro se as encarássemos com desagrado.
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Mês Junho
Ano 1864