Se a religião, apropriada no princípio aos conhecimentos limitados dos homens, tivesse acompanhado sempre o movimento progressivo do espírito humano, não haveria incrédulos, porque está na própria natureza do homem a necessidade de crer, e ele crerá desde que receba o alimento espiritual em harmonia com as suas necessidades intelectuais. O homem quer saber de onde veio e para onde vai. Se lhe mostrarem um fim que não corresponda às suas aspirações nem à ideia que ele faz de Deus, nem aos dados positivos que a Ciência lhe fornece; se, além disso, para atingir o seu objetivo, impõem-lhe condições que sua razão contesta, ele tudo rejeita. O materialismo e o panteísmo parecem-lhe ainda mais racionais, porque com eles ao menos se raciocina e se discute; raciocínio falso, é verdade, mas o homem prefere raciocinar em falso a não raciocinar absolutamente.
Se, contudo, lhe apresentarem um futuro lógico, digno em tudo da grandeza, da justiça e da infinita bondade de Deus, ele repudiará o materialismo e o panteísmo, cujo vácuo sente em seu foro íntimo, e que só havia aceitado em falta de crença melhor. O Espiritismo dá coisa melhor; por isso é acolhido sem demora por todos os atormentados pela dúvida pungente da incerteza, os que não encontram nem nas crenças nem nas filosofias vulgares o que procuram. O Espiritismo tem a seu favor a lógica do raciocínio e a sanção dos fatos, e é por isso que o têm combatido em vão.