Acontece com muita frequência que um médium só pode comunicar-se com um único Espírito, que se ligou a ele e responde pelos que são chamados por seu intermédio. Nem sempre há nisso uma obsessão, já que pode resultar de falta de flexibilidade do médium, ou de uma afinidade especial sua com este ou aquele Espírito. Somente há obsessão propriamente dita quando o Espírito se impõe e afasta intencionalmente os outros, o que jamais é feito por um Espírito bom. Geralmente, o Espírito que se apodera do médium, tendo em vista dominá-lo, não suporta o exame crítico das suas comunicações; quando vê que não são aceitas, ou que os homens as discutem, não se retira, mas inspira ao médium a ideia de se isolar, chegando mesmo a dar ordens neste sentido. Todo médium que se melindra com a crítica das comunicações que recebe, faz-se eco do Espírito que o domina, e esse Espírito não pode ser bom, já que lhe inspira o pensamento ilógico de se recusar ao exame. O isolamento do médium é sempre coisa deplorável para ele, porque fica sem nenhum controle das comunicações que recebe. Não somente deve buscar a opinião de terceiros para esclarecer-se, como também precisa estudar todos os gêneros de comunicações, a fim de compará-las entre si. Limitando-se às que lhe são transmitidas, por melhores que lhe pareçam, expõe-se a se iludir sobre o valor das comunicações, sem contar que não lhe é possível conhecer tudo e que elas giram quase sempre dentro do mesmo círculo. (Item 192, “Médiuns exclusivos”.)