Uma Nova Descoberta Fotográfica
Eis, pois, um fenômeno inteiramente do domínio da física, do qual conhecemos o princípio, mas que, entretanto, não podemos repetir à vontade. Acorrerá à mente do céptico mais empedernido negar o fato? Seguramente não. Por que, então, negam esses mesmos cépticos a realidade dos fenômenos espíritas – falamos das manifestações em geral – simplesmente por não as poderem manipular à vontade? Não admitir que fora daquilo que conhecemos possa haver agentes novos, regidos por leis especiais; negar esses agentes, porque não obedecem às leis que conhecemos, é dar prova de bem pouca lógica e revelar um espírito por demais limitado. Voltemos à imagem do Sr. Badet. Como nosso colega e sua garrafa, certamente se farão numerosas tentativas infrutíferas, antes de obter qualquer êxito, até que um acaso feliz, ou o esforço de um gênio poderoso, possa dar a chave do mistério. Então, isso se transformará provavelmente numa arte nova, de que se enriquecerá a indústria. Desde já podemos ouvir numerosas pessoas dizerem: mas há um meio bem mais simples de termos essa chave: por que não a pedem aos Espíritos? É o caso de realçar um erro em que cai a maior parte dos que julgam a ciência espírita sem a conhecer. Lembremos, primeiramente, deste princípio fundamental: os Espíritos, ao contrário do que se pensava outrora, longe estão de tudo saber. Dá-nos a escala espírita a medida de sua capacidade e moralidade, e diariamente a experiência confirma nossas observações a esse respeito. Os Espíritos, pois, nem tudo sabem, em muitos aspectos sendo bastante inferiores a certos homens: eis o que não podemos jamais perder de vista. O Espírito Badet, autor involuntário do fenômeno de que nos ocupamos, por suas respostas demonstra uma certa elevação, mas não uma grande superioridade; ele próprio reconhece sua falta de habilidade para dar uma explicação completa; como dissera, isso é “tarefa de outros Espíritos e do trabalho humano.” Estas últimas palavras encerram todo um ensinamento. De fato, seria bastante cômodo não ter senão que interrogar os Espíritos para fazermos as mais extraordinárias descobertas; onde, então, estaria o mérito dos inventores, se mão oculta lhes viesse facilitar a tarefa e poupar-lhes o trabalho de pesquisa? Por certo, mais de uma pessoa não teria escrúpulo de registrar uma patente de invenção em seu nome pessoal, sem mencionar o verdadeiro inventor. Acrescentemos que semelhantes perguntas são feitas visando sempre a interesses e na esperança de fortuna fácil, coisas pessimamente recomendadas junto aos Espíritos bons; aliás, eles não se prestam jamais a servir como instrumento de tráfico. O homem deve ter a sua iniciativa, sem o que será reduzido à condição de máquina; deve aperfeiçoar-se pelo trabalho: é uma das condições de sua existência terrestre. É necessário, também, que cada coisa venha a seu tempo e pelos meios que apraz a Deus empregar, pois os Espíritos não podem desviar os caminhos da Providência. Querer forçar a ordem estabelecida é colocar-se à mercê dos Espíritos zombeteiros que lisonjeiam a ambição, a cupidez e a vaidade, para depois se rirem das decepções que causam. Muito pouco escrupulosos de sua natureza, dizem tudo o que se quer, dão todas as receitas que se lhes pede e, se necessário, as apoiarão em fórmulas científicas, sem se importarem ao menos se terão o valor das receitas dos charlatães. Iludem-se, pois, todos aqueles que acreditavam pudessem os Espíritos abrir-lhes minas de ouro: sua missão é mais séria. “Trabalhai, esforçai-vos; eis o que de fato precisais”, disse um célebre moralista, do qual em breve daremos uma notável conversa de além-túmulo. A essa sábia máxima, a Doutrina Espírita acrescenta: É a estes que os Espíritos sérios vêm auxiliar, pelas idéias que lhes sugerem ou por conselhos diretos, e não aos preguiçosos, que desejam gozar sem nada fazer, nem aos ambiciosos, que querem ter mérito sem esforço. Ajuda-te e o céu te ajudará.
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Mês Julho
Ano 1858