Epidemia Demoníaca na Sabóia
Estando provados alguns casos isolados de obsessão física ou de subjugação, fácil é compreender que, semelhante a uma nuvem de gafanhotos, um bando de Espíritos malfazejos pode lançar-se sobre um certo número de indivíduos, deles se apoderar e produzir uma espécie de epidemia moral. A ignorância, a fraqueza das faculdades, a ausência de cultura intelectual naturalmente lhes facultam maior influência. É por isso que eles prejudicam, de preferência, certas classes, embora as pessoas inteligentes e instruídas nem sempre estejam isentas. Como diz Erasto, foi provavelmente uma epidemia desse gênero que imperou no tempo do Cristo, tantas vezes mencionada no Evangelho. Mas por que só a sua palavra bastava para expulsar os chamados demônios? Isto prova que o mal não podia ser curado senão por uma influência moral. Ora, quem pode negar a influência moral do Cristo? Entretanto – dirão – não empregaram o exorcismo, que é uma espécie de remédio moral, e nada foi obtido? Se nada produziu é que o remédio nada vale e que se deve buscar outro: isto é evidente. Estudai o Espiritismo e compreendereis a razão. Somente o Espiritismo, assinalando a verdadeira causa do mal, pode dar os meios de combater os flagelos dessa natureza. Mas quando dizemos para estudá-lo, entendemos por isto um estudo sério, e não na esperança de nele encontrar uma receita banal, para uso do primeiro que aparecer. O que acontece na Sabóia, chamando a atenção, possivelmente apressará o momento em que será reconhecida a parte de ação do mundo invisível nos fenômenos da Natureza. Uma vez entrando neste caminho, a Ciência possuirá a chave de muitos mistérios e verá cair a mais formidável barreira que detém o progresso: o materialismo, que restringe o círculo da observação, em vez de o ampliar.
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Mês Abril
Ano 1862