Diante de dores, aflições, mágoas e sofrimentos sem conta que embaraçam nossos dias, como aplicar, o Evangelho em nossa vida?
— Fazendo um balanço, através de reflexões, és impelido a renovar conceitos, face à necessidade de colocar o Senhor em muitas das posições que Lhe competem e que Lhe tens negado.
Mencionas cansaço e desequilíbrio como carga que se sobrepõe, esmagadora, quase te conduzindo ao fracasso. Todavia: “O fardo é leve!”
Referes que a amizade de amigos transitou da tua para províncias estranhas. Em decorrência sofres o vazio que ficou na alma, graças à deserção deles. No entanto: “Aquele que não tomar a sua cruz e seguir-me, não é digno de mim. ”
Esclareces que a monotonia das atividades a pouco e pouco mata o ardor do ideal que antes te abrasava. Tens a sensação de que já não é a mesma a chama da fé, que ardia em ti. Apesar disso: “O trabalhador da undécima hora faz jus ao salário daquele da hora primeira.”^ Informas que desejarias novos sinais dos Céus, a fim de que se robustecessem as convicções que parecem esvaziadas de conteúdo, na torpe sociedade de consumo. Sem embargo, a lição é simples: “Bem-aventurados os que não viram e creram.”
Minado por enfermidades insistentes que te roubam a vitalidade, inquires: “Onde o auxílio divino, na direção das minhas necessidades?” Não obstante, a resposta está enunciada há quase dois mil anos: “Nem todos foram curados. ”
A ronda da fome aumenta cada vez mais, ampliando as dimensões dos seus domínios, e a miséria, soberana, governa milhões de destinos. Marejam-se os teus olhos, em justa compunção. No íntimo, indagas: “Por que o Senhor não solve a dificuldade?” Entrementes, a elucidação já foi dada: “Nem só de pão vive o homem”
Diante de tais considerações, no báratro dos tormentosos dias, convém consultar Jesus, sem cessar...
(Celeiro de Bênçãos - 1a edição - p. 46/47)