Manifestações dos Espíritos – Paul Auguez
Pelo Sr. Paul Auguez RESPOSTA AO SR. VIENNET, POR PAUL AUGUEZ 14. O Sr. Paul Auguez é um adepto sincero e esclarecido da Doutrina Espírita; sua obra, que lemos com grande interesse, e na qual se reconhece a pena elegante do autor de Élus de l’avenir 15, é uma demonstração lógica e sábia dos pontos fundamentais dessa Doutrina, isto é, da existência dos Espíritos, de suas relações com os homens e, por conseqüência, da imortalidade da alma e de sua individualidade após a morte. Sendo o seu objetivo principal responder às agressões sarcásticas do Sr. Viennet, só aborda os pontos capitais, limitando-se a provar com os fatos, com o raciocínio e com as autoridades mais respeitáveis que essa crença não está fundada sobre idéias sistemáticas ou preconceitos vulgares, mas, sim, que repousa sobre bases sólidas. A arma do Sr. Viennet é o ridículo; a do Sr. Auguez é a Ciência. Por meio de numerosas citações, que atestam um estudo sério e uma profunda erudição, ele prova que se os adeptos de hoje, conquanto seu número cresça sem cessar, bem como as pessoas esclarecidas de todos os países que a eles se ligam, fossem, como o pretende ilustre acadêmico, cérebros desequilibrados, essa enfermidade lhes seria comum, como o seria aos maiores gênios que honram a Humanidade. Nas suas refutações, o Sr. Auguez soube sempre conservar a dignidade de linguagem, mérito que nunca será suficientemente louvado; aí não se encontram essas diatribes despropositadas, tornadas lugares-comuns de mau gosto e que nada provam, a não ser a falta de urbanidade. Tudo o que disse é grave, sério, profundo, à altura do sábio a quem se dirige. Tê-lo-á convencido? Nós o ignoramos; duvidamos mesmo, para falar francamente; mas como, em definitivo, seu livro é feito para todo o mundo, as sementes que lança não serão todas perdidas. Por mais de uma vez teremos ocasião de citar algumas passagens de seu livro no curso desta publicação, à medida que a isso formos levados pela natureza do assunto. Sendo a teoria desenvolvida pelo Sr. Auguez, exceto, talvez, em alguns pontos secundários, a que nós mesmos professamos, não faremos a respeito nenhuma crítica de sua obra, que se notabilizará e será lida com proveito. Não desejaríamos senão uma coisa: um pouco mais de clareza nas demonstrações e de método na ordenação das matérias. O Sr. Auguez tratou a questão como sábio, porque se dirigia a um sábio, certamente capaz de compreender as coisas mais abstratas; entretanto, deveria ter pensado que escrevia menos para um homem do que para o público, que sempre lê com mais prazer e proveito o que compreende sem esforço. Aos Leitores da Revista Espírita Vários de nossos leitores quiseram responder ao apelo que fizemos em nosso primeiro número, com respeito às informações a nos serem fornecidas. Um grande número de fatos nos foi assinalado, entre os quais alguns muito importantes, pelo que somos infinitamente reconhecidos; não o somos menos pelas reflexões que às vezes os acompanham, mesmo quando revelam um conhecimento incompleto da matéria: proporcionarão esclarecimentos sobre os pontos que não tiverem sido bem compreendidos. Se não fazemos uma menção imediata dos documentos que nos são fornecidos, nem por isso nos passam despercebidos; deles sempre tomamos boa nota, para serem aproveitados cedo ou tarde. A falta de espaço não é a única causa que pode retardar a publicação, mas ainda a oportunidade das circunstâncias e a necessidade de os relacionar aos artigos dos quais podem ser complementos úteis. A multiplicidade de nossas ocupações, junto à extensa correspondência, deixa-nos por vezes na impossibilidade material de responder, como gostaríamos e como deveríamos, às pessoas que nos dão a honra de nos escrever. Rogamos encarecidamente não interpretarem de maneira desfavorável um silêncio que independe de nossa vontade. Esperamos que sua boa vontade não se arrefeça e que não queiram interromper suas interessantes comunicações; a esse respeito, chamamos novamente sua atenção para a nota que inserimos no fim da introdução de nosso primeiro número, a propósito das informações que por obséquio solicitamos, rogando, além disso, não deixarem de nos dizer quando poderemos, sem cometer inconveniência, fazer menção dos lugares e das pessoas. As observações acima se aplicam, igualmente, às questões que nos são dirigidas sobre diversos pontos da Doutrina. Quando necessitarem de um desenvolvimento de maior extensão, tanto menos possível nos é responder por escrito, quando muitas vezes a mesma coisa deve ser repetida a um grande número de pessoas. Destinando-se nossa revista a servir de meio de correspondência, nela tais respostas naturalmente encontrarão lugar à medida que os assuntos tratados nos oferecerem oportunidade, e isso com tanto mais vantagem quanto mais completas e proveitosas forem as explicações. Allan Kardec
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Mês Fevereiro
Ano 1858