Dos homens duplos e das aparições de pessoas vivas
2. “O juiz de cantão, J..., em Fr... mandou certo dia seu amanuense a uma aldeia dos arredores. Passado algum tempo, ele o viu entrar de novo, tomar de um livro no armário e folheá-lo. Perguntou-lhe bruscamente por que ainda não fora onde o mandara. A essas palavras, o amanuense desapareceu. O livro cai no chão e o juiz o coloca em cima de uma mesa, aberto como caíra. À tarde, de regresso o amanuense, o juiz o interrogou sobre se lhe acontecera alguma coisa em caminho, se tinha voltado à sala onde naquele momento se achavam. — Não — respondeu o amanuense —; fiz a viagem na companhia de um amigo; ao atravessarmos a floresta, pusemo-nos a discutir acerca de uma planta que encontráramos e eu lhe disse que, se estivesse em casa, fácil me seria mostrar-lhe uma página de Lineu que me daria razão. Era justamente esse o livro que ficara aberto na página indicada.” Por muito extraordinário que pareça o fato, não se poderia taxá-lo de materialmente impossível, por isso que ainda longe estamos de conhecer todos os fenômenos da vida espiritual. Contudo, faz-se mister a confirmação. Num caso desses, seria preciso comprovar, de maneira positiva, o estado do corpo no momento da aparição. Até prova em contrário, duvidamos de que o fato seja possível, desde que o corpo se ache em atividade inteligente. Os que seguem bem mais extraordinários são e francamente confessamos que nos inspiram dúvidas ainda maiores. Compreende-se facilmente que a aparição do Espírito de uma pessoa viva seja vista por uma terceira pessoa, porém não que um indivíduo possa ver a sua própria aparição, principalmente nas condições abaixo referidas.
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Parte Primeira
Nome do Capítulo Dos homens duplos e das aparições de pessoas vivas
Item 2