Quanto a vós, como vedes? Reconheceis em vós uma forma limitada, circunscrita, embora fluídica? Sentis em vós mesmos uma cabeça, um tronco, braços, pernas? – R. O Espírito, conservando a sua forma humana idealizada, divinizada, pode, sem sombra de dúvida, possuir todos os membros de que falais. Sinto perfeitamente as pernas e os dedos, pois podemos, à vontade, aparecer-vos e apertar-vos as mãos. Estou perto de vós e já apertei a mão de todos os meus amigos, sem que disso se apercebessem. Nossa fluidez nos faculta estar em toda parte sem ocupar o espaço ou produzir quaisquer sensações, se assim o desejarmos. Neste momento, tendes as mãos cruzadas e tenho as minhas nas vossas. Digo-vos, por exemplo, que vos estimo, porém meu corpo não ocupa qualquer espaço, a luz o atravessa e o que chamaríeis milagre, se acaso vísseis, não passa para o Espírito de ação contínua de todos os instantes.
“A vista dos Espíritos não tem a menor relação com a vista humana, do mesmo modo que seu corpo não tem quaisquer semelhanças reais; para eles, tudo se transforma na essência, como no conjunto. Repito-vos que o Espírito tem uma perspicácia divina que abrange tudo, visto que pode adivinhar até o vosso pensamento; também pode tomar a forma que melhor lhe convenha para tornar-se conhecido. Nesse aspecto porém, o Espírito superior que concluiu suas provas prefere a forma que o conduziu para perto de Deus.”