Capítulo 16
João Marques pregava com fervor. O tema era a tolerância. A assembléia, enlevada, bebia-lhe o verbo, num deslumbramento de luz. - “Suportemos os golpes do destino! Suportemos a calúnia e a ingratidão, a dificuldade e a lágrima! ...” O auditório vibrava ... Nisso, pequenina bruxa dourada voeja na sala e toca de leve o rosto do orador. João Marques vacila. Interrompe-se. Num átimo, toma a minúscula borboleta noturna e, visivelmente irritado, esmaga-a com o pé. E prossegue a preleção ...* Mais tarde, o círculo é reduzido. Apenas alguns companheiros e o médium Macedo. Batista, o presidente da instituição, agradece as bênçãos da noite. Era o décimo aniversário do templo e o salão estava cheio. No clima de júbilo geral, comunica-se Nuno, o orientador desencarnado. Controlando o médium, saúda os amigos. Complacente, otimista, explana, fraterno, sobre os méritos do trabalho. Quando está preste a despedir-se, João Marques arrisca: - Meu amigo, julga que me conduzi a contento na palestra? - Como não? – replica, sorridente, o instrutor. – Você estava muito bem inspirado, feliz. - E não tem apontamento a dizer? O benfeitor pareceu refletir um minuto e concluiu: - Marques, já que você faz questão do apontamento, não posso omiti-lo. Você falou sobre a tolerância, brilhantemente. Mas pensemos um pouco. Se não podemos suportar pobre borboleta a nos beijar respeitosamente a testa, como suportaremos as pancadas justas da vida?
TAG Valor
Parte Primeira Parte
Médium Waldo Vieira
Número 16
Nome do Capítulo Instantâneo