Capítulo 15
Ao passar, Jesus viu um homem que era cego desde que nascera; e seus discípulos lhe fizeram esta pergunta: “Mestre, quem pecou, esse homem ou seus pais, para que ele nascesse cego?” — Jesus lhes respondeu: “Nem ele, nem os que o puseram no mundo; mas para que nele se manifestem as obras do poder de Deus. É preciso que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; vem depois a noite, na qual ninguém pode fazer obras. — Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.” Tendo dito isso, cuspiu no chão e, havendo feito lama com a sua saliva, ungiu com essa lama os olhos do cego — e lhe disse: “Vai lavar- te no tanque de Siloé, que significa Enviado.” Ele foi, lavou-se e voltou vendo claro. Seus vizinhos e os que o viam antes a pedir esmolas diziam: “Não é este o que estava assentado e pedia esmola?” Uns respondiam: “É ele”; outros diziam: “Não, é um que se parece com ele.” O homem, porém, lhes dizia: “Sou eu mesmo.” — Perguntaram-lhe então: “Como se abriram os teus olhos?” — Ele respondeu: “Aquele homem que se chama Jesus fez um pouco de lama e passou nos meus olhos, dizendo: ‘Vai ao tanque de Siloé e lava-te.’ Fui, lavei-me e vejo.” — Disseram- lhe: “Onde está Ele?” Respondeu o homem: “Não sei.” Levaram então aos fariseus o homem que estivera cego. — Ora, fora num dia de sábado que Jesus fizera aquela lama e lhe abrira os olhos. Também os fariseus o interrogaram para saber como recobrara a vista. Ele lhes disse: “Ele me pôs lama nos olhos, eu me lavei e vejo.” — Ao que alguns fariseus retrucaram: “Esse homem não é enviado de Deus, pois que não guarda o sábado.” Outros, porém, diziam: “Como poderia um homem mau fazer tais prodígios?” Havia, a propósito, dissensão entre eles. Disseram de novo ao que fora cego: “E tu, que dizes desse homem que te abriu os olhos?” Ele respondeu: “Digo que é um profeta.” — Mas os judeus não acreditaram que aquele homem fora cego e que houvesse recobrado a vista, enquanto não fizeram vir o pai e a mãe dele — e os interrogaram assim: “É esse o vosso filho, que dizeis ter nascido cego? Como é que ele agora vê?” — O pai e a mãe responderam: “Sabemos que esse é nosso filho e que nasceu cego; não sabemos, porém, como agora vê e tampouco sabemos quem lhe abriu os olhos. Interrogai-o; ele já tem idade, que responda por si mesmo.” Seu pai e sua mãe falavam desse modo porque temiam os judeus, visto que estes já haviam resolvido em comum que quem quer que reconhecesse a Jesus como o Cristo seria expulso da sinagoga. — Foi o que obrigou o pai e a mãe do rapaz a responderem: Ele já tem idade; interrogai-o. Chamaram pela segunda vez o homem que fora cego e lhe disseram: “Glorifica a Deus; sabemos que esse homem é um pecador.” Ele lhes respondeu: “Se é um pecador, não sei, tudo o que sei é que estava cego e agora vejo.” — Tornaram a perguntar-lhe: “Que te fez Ele e como te abriu os olhos?” — Respondeu o homem: “Já vo-lo disse e bem o ouvistes; por que quereis ouvi-lo pela segunda vez? Quereis, porventura, tornar-vos seus discípulos?” — Ao que eles o carregaram de injúrias e lhe disseram: “Sê tu seu discípulo; quanto a nós, somos discípulos de Moisés. — Sabemos que Deus falou a Moisés, ao passo que não sabemos de onde este saiu.” O homem lhes respondeu: “É de espantar que não saibais de onde Ele é e que Ele me tenha aberto os olhos. — Ora, sabemos que Deus não exalça os pecadores; mas àquele que o honre e faça a sua vontade, a esse, Deus exalça. — Desde que o mundo existe, jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença.—Se esse homem não fosse um enviado de Deus, nada poderia fazer de tudo o que tem feito.” Disseram-lhe os fariseus: “Tu és todo pecado, desde o ventre de tua mãe, e queres ensinar-nos a nós?” E o expulsaram. (João, 9:1 a 34.)
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Nome do Capítulo Os milagres do Evangelho
Tema Curas
Sub-Tema Cego de nascença
Item 24