Resp. – Horrivelmente.
111. Morrestes subitamente?
Resp. – Não; duas horas depois.
112. Que reflexões fazíeis, sentindo que morríeis?
Resp. – Não pude refletir; fui tomado de um terror inexprimível.
113. A aparição ficou visível até o fim?
Resp. – Sim; não deixou um só instante o meu pobre Espírito.
114. Quando vosso Espírito se desprendeu percebestes a causa de vossa morte?
Resp. – Não; tudo estava acabado. Só mais tarde compreendi.
115. Podeis indicar a data de vossa morte?
Resp. – Sim: 9 de agosto de 1853. (A data precisa ainda não pôde ser verificada; mas é exata, aproximadamente).
(Décima sessão) Quando esse Espírito foi evocado, a 9 de dezembro, São Luís aconselhou a chamá-lo novamente dentro de um mês, a fim de julgar do progresso que deveria ter feito no intervalo. Já se pôde julgá-lo, pelas comunicações do Sr. e da Sra. F..., pela mudança operada em suas idéias, graças à influência das preces e dos bons conselhos. Decorrido pouco mais de um mês depois de sua primeira evocação, foi ele novamente chamado à Sociedade, em 13 de janeiro.
116. Evocação.
Resp. – Eis-me aqui.
117. Lembrai-vos de ter sido chamado entre nós há cerca de um mês?
Resp. – Como o esqueceria?
118. Por que então não pudestes escrever?
Resp. – Eu não queria.
119. Por que não o queríeis?
Resp. – Ignorância e embrutecimento.
120. Vossas idéias mudaram desde então?
Resp. – Muito. Vários dentre vós foram complacentes e oraram por mim.
121. Confirmais todas as informações que foram dadas por vós e por vossas vítimas?
Resp. – Se não as confirmasse seria dizer que não as havia dado, e fui eu mesmo que as dei.
122. Entrevedes o fim de vossas penas?
Resp. – Oh! ainda não. Já é muito mais do que mereço saber que, graças à vossa intercessão, elas não durarão para sempre.
123. Descrevei a situação em que estáveis antes da nossa primeira evocação. Havereis de compreender que vo-lo pedimos para nossa instrução, e não como um motivo de curiosidade.
Resp. – Como vos disse, não tinha consciência de nada, no mundo, senão do meu crime, e não podia deixar a casa onde o cometi senão para me elevar no espaço, onde tudo à minha volta era solidão e obscuridade. Não vos poderia dar uma idéia disto; jamais o compreendi. Desde que me elevava acima do ar, tudo era negro e vazio; não sei o que era. Hoje experimento muito mais remorso, mas, como vos provam as comunicações, já não sou constrangido a ficar naquela casa fatal. Permitem-me vagar na Terra e procurar esclarecer-me por minhas observações. Agora compreendo melhor a enormidade dos meus crimes. Se, por um lado, sofro menos, por outro aumentam minhas torturas pelo remorso; mas, pelo menos, tenho esperança.
124. Se tivésseis que retomar uma existência corpórea, qual escolheríeis?
Resp. – Ainda não vi suficientemente, nem refleti bas-tante para o saber.
125. Encontrais as vossas vítimas?
Resp. – Oh! que Deus me guarde!
Observação – Sempre foi dito que a visão das vítimas é um dos tormentos dos culpados. Este ainda não as viu, porque estava no isolamento e nas trevas; era um castigo. Mas ele teme essa visão, e talvez aí esteja o complemento de seu suplício.
126. Durante vosso longo isolamento e, pode-se dizer, vosso cativeiro, sentistes remorsos?
Resp. – Nem um pouco, e é por isso que sofri tanto. Foi somente quando comecei a experimentá-los que, mau grado meu, foram provocadas as circunstâncias que levaram à minha evocação, à qual devo o começo de minha liberdade. Obrigado, pois, a vós, que tivestes piedade de mim e me esclarecestes.
Observação – Esta evocação não é obra do acaso. Como devia ser útil a esse infeliz, os Espíritos que velavam por ele, vendo que começava a compreender a enormidade de seus crimes, julgaram chegado o momento de lhe prestar um socorro eficaz, e então o trouxeram às circunstâncias propícias. É um fato que vimos se produzir muitas vezes.
A propósito, perguntaram o que teria sido dele, se não pudesse ter sido evocado, como ocorre com todos os Espíritos sofredores que também não o podem ser, e nos quais não se pensa.
A isto foi respondido que os caminhos de Deus, para a salvação de suas criaturas, são inumeráveis. A evocação pode ser um meio de os assistir, mas, por certo, não é o único. Deus não deixa ninguém no esquecimento. Aliás, as preces coletivas também devem exercer sua influência sobre os Espíritos acessíveis ao arrependimento.
Comunicações Espontâneas