O capítulo "Apontamentos à margem" deu-nos, também, ensejo às presentes considerações, em torno do suicídio, ato infeliz e de consequências desastrosas que a criatura humana pode praticar na Terra.
De modo geral, crê o candidato ao suicídio que, exterminando o corpo físico, põe termo aos sofrimentos.
Realizado o gesto extremo, a grande ilusão se desfaz, como se fosse uma bolha de sabão impulsionada pelo vento.
"Sai o Espírito do sofrimento e cai na tortura."
Sai do ruim e cai no pior.
Numa pálida e modesta tentativa de comentar, da maneira que nos for possível, tão doloroso assunto, estabelecemos, inicialmente, a seguinte classificação para o suicídio:
a) — Por livre deliberação da pessoa;
b) — Por influência de obsessores;
c) — Por indução de terceiros.
De modo geral, entretanto, prevalece sempre o item a, uma vez que a deliberação, própria ou resultante da insinuação de terceiros, encarnados ou desencarnados, será, em última análise, do indivíduo, ressalvados, é bem de ver, casos em que há coação, tão ostensiva e compulsória, que a infeliz criatura se sente dominada.
A ação dos perseguidores espirituais é indiscutível.
Acreditamos mesmo que a maioria das deserções do mundo se dê por influência e sugestão de Espíritos vingativos, embora caiba a responsabilidade maior a quem lhes atende as insinuações, uma vez que tem a criatura o seu próprio livre arbítrio.
Por indução de terceiros (item c) procuramos situar os casos em que uma pessoa convence a outra de que a única solução para o seu problema será o desaparecimento do mundo.
O insinuador não escapará, de modo algum, às dolorosas consequências de sua atitude.
Na Terra, o Código Penal prevê reclusão de 2 a 6 anos a quem induza outro ao suicídio.
Na Espiritualidade, após a morte, a consciência culpada sofrerá por longo tempo os efeitos de sua conduta.
Classificamos, para melhor compreensão do tema, os habituais tipos de suicídios, assim compreendidos:
a) — Destruição violenta do corpo;
b) — Excessos (álcool, orgias, alimentos, etc.);
c) — Menosprezo ao vaso físico.
Vemos, assim, que não é suicida apenas aquele que elimina a própria vida com uma arma ou que se atira à frente das rodas de uma viatura qualquer.
Sê-lo-á, também, aquele que cometer excessos que resultem na "antecipação da morte".
Aquele que, menosprezando o aparelhamento fisiológico, lhe esgotar o "tônus vital" que lhe asseguraria uma existência normal, adrede preparada para que o seu Espírito, habitando no templo do corpo, realizasse o seu aprendizado e cumprisse as suas tarefas redentoras.
Todos os suicidas, deste ou daquele tipo, responderão pelo seu gesto, segundo as circunstâncias que o motivaram.
Não nos compete a análise das circunstâncias que possam agravar ou atenuar a falta; todavia, acreditamos, em tese, que sofrerão flagelações íntimas equivalentes à responsabilidade de cada caso.
Muitos motivos determinam os suicídios, consoante se observa da leitura das reportagens especializadas.
Uns sérios e dolorosos e outros destituídos de qualquer seriedade.
Vejamos alguns dos motivos:
a) falta de fé,
b) esgotamento nervoso,
c) orgulho ferido,
d) desgostos íntimos,
e) tédio,
f) loucura,
g) espírito de sacrifício.
Acreditamos que, em qualquer dos casos acima, quando a alma se recupera, no plano espiritual, arrepende-se de ter desertado da vida física, pela noção de que Deus lhe teria dado a necessária resistência.
O desespero é inimigo do bom-senso; passada a tempestade, vem a bonança.
Segundo as descrições dos Espíritos e os ensinamentos doutrinários, são as seguintes as consequências gerais dos suicídios:
a) — Visão, pela própria alma, do corpo em decomposição;
b) — Flagelações nos planos inferiores;
c) — Frustrações de tentativas para a reencarnação;
d) — Reencarnações dolorosas, com agravamento das provas.
No livro "Entre a Terra e o Céu", de André Luiz, temos o caso de Júlio: duas tentativas de suicídio, em vidas passadas, equivaleram a duas tentativas de reencarnações frustradas.
Mais uma vez somos compelidos a lembrar o Evangelho como refúgio e defesa para a nossa alma, ante as lutas, problemas e aflições que o mundo oferece.
Depois que o sentimento evangélico penetra na alma humana, levando-lhe fé e humildade, discernimento e valor, dificilmente a criatura recorre ao extremo gesto.
Jesus permanece, portanto, como se o mundo contemporâneo fosse o mesmo cenário poético da Galiléia, quando as suas palavras entravam coração a dentro, incutindo coragem, esperança e bom ânimo:
"Aquele que perseverar até ao fim será salvo."
"Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará nas trevas; pelo contrário, terá a luz da vida."
"Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna."
"Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome."
"Se alguém tem sede, venha a mim e beba."