Capítulo 23
São essas algumas experiências com Espíritos ditos femininos. Às vezes, elas são obsessoras implacáveis, tão violentas e agressivas como os homens, tão irracionais quanto eles, nas suas paixões e no desejo insaciável de vingança; mas são estatisticamente em número reduzido, em relação aos Espíritos masculinos e, decididamente, mais abertas ao entendimento e predispostas ao despertamento, porque mais sensíveis ao apelo da ternura, da emoção, do respeito à sua condição feminina, ainda que estejam transitoriamente numa posição de aviltamento, ou, talvez, por isso mesmo. Ao sentirem que são tratadas como seres humanos, reagem como seres humanos, respondendo, mais cedo ou mais tarde, às vibrações da nossa afeição. O mais comum, porém, em trabalhos mediúnicos, é encontrar mulheres que vêm recolher nos seus braços amorosos os companheiros recém-despertos. São velhos e seculares amores: mães, esposas, filhas, irmãs, que guardaram ternuras profundas, alimentadas em esperanças que nunca se apagaram, nem mesmo esmoreceram. Comparecem, às vezes, ainda enoveladas, elas próprias, em resgates dolorosos, mas quase sempre já mais avançadas no caminho da pacificação. Algumas encontram-se de há muito revestidas de luz e harmonia. Um destes casos, intensamente dramático, está relatado por André Luiz, em “Libertação”. Matilde desce aos subterrâneos da dor, para resgatar o seu amado Gregório, que se transviara lamentavelmente, e é com o seu amor apenas — e é tudo! — que enfrenta a sua cólera, numa cena inesquecível.
TAG Valor
Nome do Capítulo Mulheres
Parte Segunda