A tradução desta obra, devemo-la ao saudoso presidente da Federação Espírita Brasileira — Dr. Guillon Ribeiro, engenheiro civil, poliglota e vernaculista.
Rui Barbosa, em seu discurso pronunciado na sessão de 14 de outubro de 1903 (Anais do Senado Federal, v. II, p. 717), referindo-se ao seu trabalho de revisão do Projeto do Código Civil, trabalho monumental que resultou na Réplica, e que lhe imortalizou o nome como filólogo e purista da língua, disse:
Devo, entretanto, Sr. Presidente, desempenhar-me de um dever de consciência
— registrar e agradecer da tribuna do Senado a colaboração preciosa do Sr. Dr.
Guillon Ribeiro, que me acompanhou nesse trabalho com a maior inteligência,
não limitando os seus serviços à parte material do comum dos revisores, mas,
muitas vezes, suprindo até a desatenções e negligências minhas.
Como vemos, Guillon Ribeiro recebeu, aos 28 anos, o maior prêmio, o maior elogio a que poderia aspirar um escritor, e a Federação Espírita Brasileira, vinte anos depois, consagrou-lhe o nome, aprovando unanimemente as suas impecáveis traduções de Kardec.
Jornalista emérito, Guillon Ribeiro foi redator do Jornal do Commercio e colaborador dos maiores jornais da época. Exerceu, durante anos, o cargo de Diretor-Geral da Secretaria do Senado e foi Diretor da Federação Espírita Brasileira, no decurso de 26 anos consecutivos, tendo traduzido, ainda, O livro dos espíritos, O evangelho segundo o espiritismo, O livro dos médiuns, A gênese e Obras póstumas, todos de Kardec.