Genealogia Espírita
Como se vê, o Sr. Salgues não se apega senão à procedência do corpo. Mas como conciliar as relações de Espírito a Espírito com a não-preexistência da alma? Se, nessa filiação, houvesse entre eles relações necessárias, como o descendente de tantos soberanos seria hoje um simples proprietário angevino? Aos olhos do mundo não seria uma retrogradação? Não pomos em dúvida a autenticidade de sua genealogia, e o felicitamos por ela, já que isso lhe dá prazer, mas diremos que o estimamos mais por suas virtudes pessoais do que pelas de seus antepassados. A autoridade de Swedenborg é aqui muito contestável, quando atribui ao aroma a reprodução das flores. Este óleo essencial, volátil, que lhe dá o aroma, jamais teve a faculdade reprodutora, que reside unicamente no pólen. Falta justeza à comparação, porque se a alma apenas se distingue, por seu perfume, sobre a alma que lhe sucede, não a cria; contudo, deveria transmitir-lhe suas próprias qualidades e, nesta hipótese, não vemos por que o descendente de Carlos Magno não teria enchido o mundo com o brilho de suas ações, enquanto Napoleão não se apoiaria senão sobre uma alma vulgar. Que se diga que Napoleão descende de Carlos Magno ou, melhor ainda, que foi Carlos Magno, que veio no século dezenove continuar a obra começada no oitavo, compreende-se; mas, com o princípio da unicidade da existência nada liga Carlos Magno a seus descendentes, a não ser esse aroma, transmitido pouco a pouco sobre almas não criadas. E, então, como explicar por que, entre os seus descendentes, houve tantos homens nulos e indignos, e por que Napoleão é um gênio maior do que os seus obscuros antepassados? Façam o que quiserem: sem a reencarnação nós nos chocamos a cada passo contra dificuldades insolúveis, que só a preexistência da alma resolve, de maneira ao mesmo tempo simples, lógica e completa, visto dar a razão de tudo. Uma outra questão é o fato conhecido de que as famílias se abastardam e degeneram quando as alianças não saem da linha direta. Dá-se nas raças humanas o mesmo que nas raças animais. Por que, então, a necessidade de cruzamentos? Em que se torna a unidade do tronco? Não há aí uma mistura de Espíritos, uma intrusão de Espíritos estranhos à família? Um dia trataremos esta grave questão com todos os desenvolvimentos que ela comporta. Conversas de Além-Túmulo
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Mês Março
Ano 1862