(Pelo Sr. C...)
É com prazer que saudamos o aparecimento deste livro, porque nos parece fadado a prestar grandes serviços e preencher uma lacuna importante. Como aplicação especial, é um resumo dos mais essenciais princípios que devem presidir à organização dos grupos, para assegurar a sua vitalidade e os habilitar a produzir resultados satisfatórios.
O Sr. Allan Kardec, a quem o autor, espírita fervoroso e dedicado, havia confiado o seu manuscrito, o tinha em grande conta e se propunha a publicá-lo, simultaneamente com outros trabalhos da mesma natureza, infelizmente interrompidos com a sua morte, mas que, a despeito do atraso, não estão perdidos, esperamos, para os que souberam apreciar a eminente lógica, a clareza e a concisão do autor de O Livro dos Espíritos.
O autor consagrou-se particularmente a esclarecer e a tornar útil a propagação do Espiritismo nos campos. A modéstia de suas opiniões não impede que esta obra possa ser de incontestável utilidade, mesmo nas grandes cidades e nos grupos já organizados.
Com efeito, o que falta muitas vezes, não só nos campos, mas, também, a um certo número dos nossos irmãos em crença que habitam as cidades – não devemos temer dizê-lo – é o espírito de organização e de método, sem o qual as melhores intenções se tornam improdutivas. Imagina-se geralmente que, para instruir a si mesmo e fazer prosélitos, é absolutamente necessário que haja médiuns e se obtenham manifestações. É um erro.
Podemos mesmo dizer, e isto é resultado da experiência, que, para a maior parte dos que não se prepararam pelo estudo das obras e pelo raciocínio, as manifestações geralmente têm pouco peso; quanto mais extraordinárias, mais encontram oposição, porque se é levado naturalmente a duvidar de algo que não tem uma sanção racional. Cada um o encara do seu ponto de vista, e o cepticismo, de um lado, a ignorância e a superstição de outro, fazem ver as causas sob uma falsa luz, ao passo que uma explicação prévia tem por efeito combater as idéias preconcebidas e demonstrar, se não a realidade, pelo menos a possibilidade dos fenômenos.
Compreende-se antes de ter visto e, desde então, a convicção está assegurada em três quartos dos casos. Nem sempre é útil forçar as convicções. Muitas vezes é preferível agir com discrição e deixar à Providência o cuidado de preparar as circunstâncias favoráveis. O número de homens de boa vontade é maior do que se pensa e seu exemplo, multiplicando-se, produzirá mais efeito do que as palavras.
O Sr. C... examina essas questões com tanta lógica quanto clareza, bem como os meios que devem ser empregados para combater as causas de divisões que podem surgir entre os membros de um mesmo grupo. Por isso, estamos persuadidos de que essas instruções serão fecundas em resultados satisfatórios, se cada um se fixar em lhe assimilar o espírito e a pôr em prática os seus preceitos. Devemos ao autor agradecimentos e felicitações por esta publicação que, certamente, encontrará seu lugar na biblioteca de todos os que desejarem cooperar ativamente para o desenvolvimento da filosofia espírita.