Capítulo 163
“Mas quem não crer será condenado.” — Jesus. (MARCOS, capítulo 16, versículo 16.) Os que não crêem são os que ficam. Para eles, todas as expressões da vida se reduzem a sensações finitas, destinadas à escura voragem da morte. Os que alçam o coração para a vida mais alta estão salvos. Seus dias de trabalho são degraus de infinita escada de luz. A custa de valoroso esforço e pesada luta, distanciam-se dos semelhantes e, apesar de reconhecerem a própria imperfeição, classificam a paisagem em torno e identificam os caminhos evolutivos. Tomados de bom ânimo, sentem-se na tarefa laboriosa de ascensão à montanha do amor e da sabedoria. No entanto, os que não crêem, limitam os próprios horizontes e nada enxergam senão com os olhos destinados ao sepulcro, adormecidos quanto à reflexão e ao discernimento. Afirmou Jesus que eles se encontram condenados. A primeira vista, semelhante declaração parece em desacordo com a magnanimidade do Mestre. Condenados a que e por quem? A justiça de Deus conjuga-se à misericórdia e o inferno sem-fim é imagem dogmática. Todavia, é imperioso reconhecer que quantos não crêem, na grandeza do próprio destino, sentenciam a si mesmos às mais baixas esferas da vida. Pelo hábito de apenas admitirem o visível, permanecerão beijando o pó, em razão da voluntária incapacidade de acesso aos planos superiores, enquanto os outros caminham para a certeza da vida imortal. A crença é lâmpada amiga, cujo clarão é mantido pelo infinito sol da fé. O vento da negação e da dúvida jamais consegue apagá-la. A descrença, contudo, só conhece a vida pelas sombras que os seus movimentos projetam e nada entende além da noite e do pântano a que se condena por deliberação própria.
TAG Valor
Nome do Capítulo NÃO CRER
Editora FEB
Médium Francisco Cândido Xavier