Segundo afirmais, o vosso parente provou sua identidade de modo irrecusável; por conseguinte, é mais que provável a sua recusa em responder a perguntas que podem, e com razão, ser consideradas supérfluas, visando satisfazer à curiosidade de pessoas que lhe são indiferentes. A resposta bem poderia ser a que outros têm dado em casos semelhantes, isto é: – “para que perguntar coisas que já sabeis?”
“A isto acrescentarei que a perturbação e os sofrimentos que o assoberbam devem agravar-se com as investigações desse gênero, que correspondem perfeitamente a querer constranger um doente, que mal pode pensar e falar, a historiar as minúcias da sua vida, faltando-se assim às considerações inspiradas pelo seu próprio estado.
“Quanto ao objetivo por vós alegado, ficai certo de que tudo seria negativo. As provas de identidade fornecidas são bem mais valiosas, por isso que foram espontâneas, e não de antemão premeditadas. Ora, se estas não puderam contentar os incrédulos, muito menos o fariam interrogativas já preestabelecidas, de cuja conivência poderiam suspeitar.
“Há pessoas a quem coisa alguma pode convencer.
Essas poderiam ver o vosso sogro, com os próprios olhos, e continuariam supondo-se vítimas de uma alucinação. O que de melhor se lhes pode fazer é deixá-las tranqüilas e não perder tempo em discursos supérfluos. Só podemos lamentá-las, pois mais cedo ou mais tarde aprenderão por si mesmas o quanto custa terem repelido a luz que Deus lhes envia. É sobretudo contra estes que Deus patenteia a sua severidade.
“Duas palavras ainda, senhor, sobre o vosso pedido de evocação no mesmo dia em que eu devia receber a carta. As evocações não são feitas assim, às pressas; nem sempre os Espíritos respondem ao nosso apelo; para tanto é necessário que o possam ou o queiram; além disso, é preciso um médium que lhes convenha e que este tenha a aptidão especial necessária; que esse médium esteja à disposição em dado momento, que o meio seja simpático ao Espírito, etc. São circunstâncias pelas quais não podemos responder jamais e que importa conhecer quando se quer fazer coisa séria.”