Que se deve pensar da crença nos Espíritos guardiães de tesouros ocultos?
“Os Espíritos que ainda não estão desmaterializados se apegam às coisas. Avarentos, que esconderam seus tesouros, podem ainda, depois de mortos, vigiá-los e guardá-los; e o temor em que vivem, de que alguém os venha arrebatar, constitui um de seus castigos, até que compreendam a inutilidade dessa atitude. Também há os Espíritos da Terra, incumbidos de dirigir as suas transformações interiores, e que, por alegoria, foram transformados em guardas das riquezas naturais.”
OBSERVAÇÃO – A questão dos tesouros ocultos está na mesma categoria da questão das heranças desconhecidas. Bem louco seria aquele que contasse com as pretensas revelações que lhe possam ser feitas pelos gaiatos do mundo invisível. Já dissemos que, quando os Espíritos querem ou podem fazer semelhantes revelações, eles as fazem espontaneamente, sem precisarem de médiuns para isso. Aqui está um exemplo:
Uma senhora acabara de perder o marido, depois de 30 anos de vida conjugal, e se encontrava prestes a ser despejada do seu domicílio, sem nenhum recurso, pelos enteados, para com os quais desempenhara o papel de mãe. O seu desespero chegara ao cúmulo, quando, uma noite, o marido lhe aparece e diz a ela que o acompanhe ao seu gabinete. Lá ele lhe mostra a secretária, que ainda estava selada com os selos judiciais e, por um efeito de dupla vista, lhe faz ver o interior, indicando-lhe uma gaveta secreta que ela não conhecia e cujo mecanismo lhe explica, acrescentando: Previ o que está acontecendo e quis assegurar a tua sorte; nessa gaveta estão as minhas últimas disposições. Deixei-te o usufruto desta casa e uma renda de...; depois desapareceu. No dia em que foram retirados os selos, ninguém pôde abrir a gaveta. A senhora, então, narrou o que lhe acontecera. Abriu-a, de acordo com as indicações do marido, e lá estava o testamento, conforme lhe fora anunciado.