Pareceis sentir as falhas opostas às qualidades que acabais de assinalar. O arrependimento poderá dar-vos algum alívio? – R. Não; o arrependimento é inútil, quando resulta apenas do sofrimento. O arrependimento profícuo tem por base a mágoa de haver ofendido a Deus e o consequente desejo de reparação. Ainda não sou capaz de tanto, infelizmente. Recomendai-me às preces de quantos se interessem pelos sofrimentos alheios, porque delas tenho necessidade.
Isto é uma grande verdade. Às vezes o sofrimento provoca um brado de arrependimento, mas que não expressa com sinceridade o pesar de haver praticado o mal, porquanto, se o Espírito deixasse de sofrer, reincidiria nas mesmas faltas. É por isso que o arrependimento nem sempre acarreta a imediata libertação do Espírito; apenas o predispõe para ela, eis tudo. É-lhe preciso, além disso, provar a sinceridade e firmeza de suas resoluções, por meio de novas provações reparadoras do mal praticado.
Meditando-se cuidadosamente sobre todos os exemplos que citamos, encontrar-se-á nas palavras dos Espíritos, mesmo dos mais inferiores, profundos ensinamentos, visto que eles nos fornecem os mais íntimos pormenores da vida espiritual. Enquanto o homem superficial só verá nesses exemplos narrativas pitorescas, o homem sério e refletido encontrará neles abundante manancial de estudos.