Haverá materialistas bastante endurecidos para acreditarem seriamente, nesse momento supremo, que vão ser mergulhados no nada? – R. Sim, eles acreditam no nada até a última hora, porém, no momento da separação, o Espírito recua, a dúvida o empolga e tortura; pergunta-se a si mesmo o que vai ser, quer captar alguma coisa e não consegue. O desprendimento não pode completar-se sem esta impressão.
Em outra ocasião, um Espírito nos fez a seguinte descrição da morte de um incrédulo: “O incrédulo endurecido experimenta nos últimos instantes as angústias desses pesadelos terríveis em que se vê à beira de um abismo, prestes a precipitar-se nele; quer fugir e não pode; procura agarrar-se a qualquer coisa, mas não encontra apoio e sente deslizar para as profundezas; quer clamar, gritar e nem sequer um som conseguem articular; é então que os vemos a se contorcerem, crisparem as mãos, darem gritos sufocados, sintomas certos do pesadelo de que são vítimas. No pesadelo ordinário, do sonho, o despertar vos tira a inquietação e vos sentis aliviados pela compreensão de que sonháveis; mas o pesadelo da morte muitas vezes se prolonga por longo tempo, por anos mesmo, e o que torna a sensação ainda mais penosa para o Espírito são as trevas em que se encontra imerso.”