O Espiritismo Independente
É nossa fortuna que invejem? Onde os nossos castelos, as nossas equipagens e os nossos lacaios? Certamente, se tivéssemos a fortuna que nos atribuem, não seria dormindo que ela teria vindo e muitas pessoas amontoam milhões, num labor menos rude. – Que fazemos, então, do dinheiro que ganhamos? Como não pedimos contas a ninguém, a ninguém temos que as dar; o que é certo é que não serve para os nossos prazeres. Quanto a empregar para pagar agentes e espiões, devolvemos a calúnia à sua origem. Temos que nos ocupar com coisas mais importantes do que saber o que faz este ou aquele. Se fazem bem, não devem temer nenhuma investigação; se fazem mal, isso é lá com eles. Se há os que ambicionam a nossa posição, é no interesse do Espiritismo ou no deles? Que a tomem, pois, com todos os seus encargos, e provavelmente não acharão que seja uma sinecura tão agradável quanto supõem. Se acham que conduzimos mal o barco, quem os impedia de tomar o leme antes de nós? e quem os impede ainda hoje? – Lamentam-se de nossas intrigas para fazermos partidários? Nós esperamos que venham a nós, pois não vamos procurar ninguém; nem sequer corremos atrás dos que nos deixam, porque sabemos que não podem entravar a marcha das coisas; sua personalidade se apaga diante do conjunto. Por outro lado, não somos bastante presunçoso para crer que seja por nossa pessoa que se ligam a nós; evidentemente é pela idéia de que somos o representante. É, pois, a esta idéia que reportamos os testemunhos de simpatia que hão por bem nos dar. Em suma, o Espiritismo independente seria aos nossos olhos uma insensatez, porque a independência existe de fato e de direito e não há disciplina imposta a ninguém. O campo de exploração está aberto a todos; o juiz supremo do torneio é o público; a palma é para quem sabe conquistá-la. Tanto pior para os que caem antes de atingir a meta. Falar dessas opiniões divergentes que, em última análise, se reduzem a algumas individualidades, e em parte alguma formam corpo, não será, talvez digam algumas pessoas, ligar a isto muita importância, assustar os adeptos fazendo-os crer em cisões mais profundas do que realmente o são? não é, também, fornecer armas aos inimigos do Espiritismo? É precisamente para prevenir esses inconvenientes que disto falamos. Uma explicação clara e categórica, que reduz a questão ao seu justo valor, é mais adequada para assegurar do que para amedrontar os adeptos; eles sabem como proceder e aí encontram argumentos para a réplica. Quanto aos adversários, já exploraram o fato muitas vezes, e foi por terem exagerado o seu alcance que é útil mostrar como a coisa funciona. Para mais ampla resposta, remetemos o leitor ao artigo da Revista de outubro de 1865.
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Mês Abril
Ano 1866