Capítulo 28
Como tudo pode tornar-se objeto de exploração, não haveria nada de estranho em que se quisesse também explorar os Espíritos. Resta saber como eles receberiam isso, caso tal especulação viesse a ser tentada. Diremos desde logo que nada se prestaria melhor ao charlatanismo e ao embuste do que semelhante ofício. Se já se conhecem tantos falsos sonâmbulos, muitos mais numerosos seriam os falsos médiuns e este simples fato seria suficiente para termos justificados motivos de desconfiança. O desinteresse, ao contrário, é a resposta mais decisiva que se pode dar aos que só veem nos fenômenos uma hábil manobra. Não há charlatanismo desinteressado. Qual seria, pois, o objetivo dos que usassem de embuste sem proveito, sobretudo quando a honorabilidade os colocasse acima de qualquer suspeita? Se o ganho que um médium possa tirar da sua faculdade constitui motivo de suspeição, jamais essa circunstância constituirá, por si só, uma prova de que tal suspeição seja fundamentada. Ele poderia ter uma faculdade real e agir de boa-fé, mesmo fazendo-se retribuir. Vejamos se é possível esperar-se, nesse caso, algum resultado satisfatório.
TAG Valor
Parte Segunda
Nome do Capítulo Charlatanismo e embuste
Tema Médiuns interesseiros
Item 304