De todos os fenômenos espíritas, os que mais se prestam à fraude são os fenômenos físicos, por motivos que convém considerar. Primeiramente, porque impressionam mais os olhos do que a inteligência, sendo, portanto, os que a prestidigitação pode imitar mais facilmente. Em segundo lugar, porque, despertando mais que os outros a curiosidade, atraem mais as multidões, sendo, por conseguinte, os mais produtivos. Sob esse duplo ponto de vista, os charlatães têm, pois, todo interesse em simular as manifestações desta espécie. Os espectadores, na sua maioria estranhos a essa arte, a ela recorrem muito mais em busca de uma distração do que de instrução séria. Ora, é sabido que se paga melhor aquilo que diverte do que aquilo que instrui. Além disso, há outro motivo não menos decisivo. Se a prestidigitação pode imitar efeitos materiais, para os quais só se precisa de habilidade, não lhe conhecemos, todavia, até o momento, o dom de improvisação, que exige uma dose incomum de inteligência, nem o dom de produzir esses belos e sublimes ditados, frequentemente tão oportunos, tão convenientes, que os Espíritos costumam dar nas suas comunicações. Isto nos faz lembrar o fato seguinte:
Certo dia, um escritor bastante conhecido veio ter conosco e nos disse que era excelente médium escrevente intuitivo e que se punha à disposição da Sociedade Espírita de Paris. Como temos por hábito não admitir na Sociedade senão médiuns cujas faculdades nos são conhecidas, pedimos ao nosso visitante que primeiro nos desse provas de sua faculdade numa reunião particular. Ele realmente compareceu. Durante a reunião, vários médiuns experientes deram dissertações e respostas de notável precisão sobre questões propostas e sobre assuntos que lhes eram desconhecidos. Quando chegou a vez daquele senhor, ele escreveu algumas palavras insignificantes, disse que naquele dia estava indisposto e nunca mais o vimos. Provavelmente, achou que o papel de médium de efeitos inteligentes era mais difícil de representar do que imaginara.