Cremos neles, não só porque sua realidade foi por nós constatada, mas, sobretudo, por que nos damos conta perfeitamente da maneira por que se produzem. Queiram reportar-se à teoria que demos, das aparições32, e verão que tal fenômeno se torna tão simples e tão plausível quanto uma porção de fenômenos físicos, que não são prodigiosos senão pela falta de sua chave. Quanto à personagem que se apresentou em Salette, é outra questão; sua identidade de modo algum foi demonstrada; apenas constatamos que pode ter havido uma aparição; o resto não é de nossa competência. A respeito, cada um pode guardar as suas convicções, com as quais o Espiritismo nada tem de se ocupar. Apenas dizemos que os fatos produzidos pelo Espiritismo nos revelam leis novas e nos dão a chave de uma porção de coisas que pareciam sobrenaturais. Se algumas delas que passavam por miraculosas, agora encontram uma explicação lógica, é motivo para não haver pressa em negar aquilo que não se compreende.
Os fatos do Espiritismo são contestados por certas pessoas, precisamente porque parecem escapar à lei comum, e porque elas não os compreendem. Dai-lhes uma base racional e a dúvida cessará. Neste século onde não se poupam palavras, a explicação é, pois, um poderoso elemento de convicção. Assim, diariamente vemos pessoas que não testemunharam nenhum fato, que nem viram uma mesa girar, nem um médium escrever, e que estão tão convencidas quanto nós, unicamente porque leram e compreenderam. Se só devêssemos acreditar no que viram os nossos olhos, nossas convicções se reduziriam a bem pouca coisa.