Outro aspecto importante, que precisa ser abordado, no aproveitamento desses intervalos entre uma sessão e outra, é o da prece. Como as sessões se realizam, usualmente, uma vez por se mana, durante os dias em que aguardamos as próximas manifestações, precisamos ter a atenção voltada para os companheiros que se acham em tratamento no grupo, não apenas aqueles que ainda não foram “convertidos”, mas, também, aqueles que já se acham recolhidos, para tratamento, nas instituições especializadas do Além. Eles precisam de nossas preces e do nosso pensamento construtivo e amoroso, tanto quanto necessitamos do apoio dos nossos benfeitores. A prece é o fio que realiza esse milagre. Não podemos esquecer-nos de que os companheiros desarvorados, que receberam o primeiro impacto de uma incorporação e doutrinação, ficam com os ânimos ainda mais acirrados contra nós. Durante a semana toda haveremos de sentir-lhes a presença ou as “mensagens” vibratórias de seus pensamentos hostis. Lembremo-nos de que não o fazem por maldade intrínseca e irredutível e, sim, por desconhecimento e defesa. Estão convencidos da legitimidade de seus propósitos e da nossa posição de intrusos, que nada têm a ver com os seus problemas pessoais e os seus planos. Sem dúvida alguma tentarão criar-nos dificuldades, quando nada com as vibrações negativas de seu pensamento. É claro que provocarão, em nós, sensações de angústia indefinível, mal-estar, depressão e desânimo. Só a prece pode socorrer-nos, em tais situações. Oremos por eles, mas com fervor, com amor. É hora de pôr em prática, com toda a convicção, o preceito evangélico que nos recomenda amar os nossos inimigos. Embora não os consideremos como tais, eles assim se consideram. Envolvamo-los numa atmosfera de amor e compreensão, de tolerância e paciência, e procuremos devolver as suas agressões mentais com o nosso pensamento de afeição e carinho, implorando a Deus que os ajude, que lhes mostre a verdade, que lhes ilumine os corações, onde também existe amor, em potencial, pronto a emergir, novamente, das cinzas de muitos sonhos e das sombras de muitas agonias. A qualquer momento que pudermos recolher-nos para a prece, especialmente nas horas e locais em que costumamos meditar, oremos por eles, com muito amor mesmo. Não é difícil. Imaginemo-los como companheiros muito queridos, filhos, parceiros de antigas lutas e até credores nossos, a quem muito devemos. Com frequência impressionante o são mesmo, além de irmãos, que serão sempre, invariavelmente. A doutrinação é um ato de amor. Aquele que não souber amar sem reservas, ou que somente puder amar aqueles que o amam, não está preparado para essa tarefa.
É extraordinário o poder da prece. Diria, mesmo, miraculoso, não fosse tão abusada essa palavra extraordinária. Inúmeras e repetidas vezes temos presenciado o seu poder invencível. Às vezes, o irmão atormentado, ao manifestar-se pela segunda ou terceira vez, mostra-se extremamente “perturbado” pelas nossas preces. Um deles disse-me, irritado:
— Você vive rezando...
Outros se confessam paralisados, em pensamento e ação. Não conseguem mais raciocinar com clareza e levar avante os projetos em que estavam empenhados: perseguições, obsessões, desmandos de toda sorte. Um deles me disse, certa vez, que havia interceptado meus “telefonemas”. A “telefonista” recebera-os em seu lugar, mas sua referência provava que ele tomara conhecimento da minha atividade mental e emocional durante a semana, pelo menos naquilo que fora deliberadamente dirigido para ele.
Para resumir e insistir num ponto, já mencionado, alhures, neste livro: o trabalho de doutrinação não se resume às poucas horas em que conversamos diretamente com os Espíritos incorporados aos nossos médiuns; ele se projeta ao longo dos dias e segue nas realizações da noite, quando, em desdobramento, acompanhamos nossos mentores, nos contactos e nas tarefas que se desenrolam no mundo do Espírito.
Mantenhamos uma atitude vigilante, construtiva, atenta a pequenos detalhes, que poderiam passar despercebidos, mas que se revelam subitamente de enorme importância na decifração do enigma que esses amados companheiros trazem em si e que não podem resolver sozinhos.
Muita gente ainda não descobriu que a essência dos “milagres” evangélicos é o amor.
Quando o Cristo disse que um dia poderíamos fazê-los também, não estava apenas acenando com uma visão quimérica, para que fôssemos bonzinhos — Ele nada disse que não se conformasse com as suas íntimas convicções, antevisões e experiências.
O amor é realmente milagroso, e a prece, o instrumento daqueles que querem realizá-lo.
A tarefa dos seres encarnados, num grupo mediúnico de desobsessão, é pouco mais que isso: assistirem à constante realização do milagre sempre renovado do amor.