29. O êxtase é a emancipação da alma no grau máximo.
No sonho e no sonambulismo, o Espírito anda em giro pelos mundos terrestres. No êxtase, penetra em um mundo desconhecido, o dos Espíritos etéreos,
com os quais entra em comunicação, sem que, todavia, lhe seja lícito ultrapassar
certos limites, porque, se os transpusesse, totalmente se partiriam os laços que o
prendem ao corpo. Cerca-o então resplendente e desusado fulgor, inebriam-no
harmonias que na Terra se desconhecem, indefinível bem-estar o invade: goza
antecipadamente da beatitude celeste e bem se pode dizer que pousa um pé no
limiar da eternidade.
No estado de êxtase, o aniquilamento do corpo é quase completo. Fica-lhe somente, pode-se dizer, a vida orgânica. Sente-se que a alma se lhe acha presa unicamente
por um fio, que mais um pequenino esforço quebraria sem remissão (O livro dos
espíritos, q. 455).